7 de Janeiro de 2008 / às 21:55 / 10 anos atrás

ANÁLISE-Ano eleitoral pressiona Bush a usar reserva de petróleo

Por Tom Doggett

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos EUA, George W. Bush, pode ficar tentado a avançar sobre a chamada Reserva Estratégica de Petróleo para ajudar o candidato do Partido Republicano à sua sucessão, mas analistas acham que isso teria pouco impacto no sentido de reduzir o preço da gasolina -- e conseqüentemente seduzir eleitores.

O candidato republicano -- seja quem for -- provavelmente vai pressionar a Casa Branca a usar esse estoque emergencial de petróleo, especialmente se estiver muito atrás de um(a) democrata nas pesquisas.

“Bush pode ser muito pressionado a agir antes que as pessoas se convençam de que de jeito nenhum vão votar num republicano”, disse Daniel J. Weiss, especialista em energia do Centro para o Progresso Americano, de Washington.

A história mostra, porém, que esse recurso tem efeito efêmero. O ex-presidente Bill Clinton foi acusado de usar a demanda do inverno como pretexto para liberar cerca de 30 milhões de barris das reservas estratégicas em setembro de 2000, supostamente para ajudar o democrata Al Gore, que poucas semanas depois acabaria derrotado por Bush na eleição presidencial.

Naquela época, o preço do combustível caiu cerca de 1 dólar por barril durante uma semana, e o da gasolina caiu cerca de 1 centavo de dólar por litro, antes de subir de novo.

A Reserva Estratégica de Petróleo, criada pelo Congresso em resposta ao choque do petróleo de 1973, contém atualmente cerca de 698 milhões de barris de petróleo bruto em quatro armazéns subterrâneos do Texas e Louisiana. Os EUA consomem cerca de 21 milhões de barris por dia.

Usar tais reservas “podem gerar algum alívio, mas como o mercado não esperaria que tal libertação de petróleo continue, o impacto sobre o preço será limitado”, disse Tancred Lidderdale, analista de petróleo da Administração de Informação da Energia, um órgão federal. “É uma pílula temporária para uma enxaqueca permanente”, disse ele, referindo-se à tendência global de que a demanda por petróleo cresça mais que a produção.

Bush promete não usar a Reserva Estratégica de Petróleo como instrumento político. “Como você pode lembrar, essa foi uma questão na campanha de 2000, em que eu claramente disse que não avançaríamos sobre a Reserva Estratégica de Petróleo para propósitos políticos”, disse Bush à Reuters em entrevista concedida na semana passada no Salão Oval da Casa Branca.

“A Reserva Estratégica de Petróleo está disponível para emergências, ataques terroristas e deslocamentos em massa, e para isso ela está lá”, acrescentou.

Mas o cenário político pode levar ao uso desse recurso. O fornecimento já está restrito, e o governo diz que precisaria haver mais petróleo no mercado mundial para que fosse possível recuperar os estoques e reduzir o preço do produto -- que na semana passada atingiu a cotação recorde de 100 dólares por barril. “Suponho que se os preços estiverem bem acima de 100 dólares por barril e se as pessoas estiverem tendo prejuízo ao encostarem no seu posto de gasolina favorito, então talvez possa haver uma forte tentação de fazer algo como o presidente Clinton fez”, disse Robert Ebel, especialista em energia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington.

“Se eles puderem sugar a Reserva Estratégica de Petróleo sob o disfarce de agir para se contrapor a uma emergência internacional, eles o farão, particularmente se o Partido Republicano não der a impressão de que está indo bem nas eleições”, disse Sarah Emerson, diretora da empresa Energy Security Analysis Inc, de Boston.

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