12 de Agosto de 2008 / às 12:08 / em 9 anos

Rússia manda parar guerra na Geórgia

Por Michael Stott e Margarita Antidze

MOSCOU/TBILISI (Reuters) - O presidente russo, Dmitry Medvedev, ordenou na terça-feira a suspensão das operações militares na Geórgia, argumentando que os objetivos da guerra haviam sido alcançados.

Pouco antes de discutir a situação no Kremlin com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, Medvedev deu ordens ao ministro da Defesa, Anatoly Serdyukov, para “parar a operação para forçar as autoridades georgianas à paz”.

“O objetivo da operação foi alcançado”, disse Medvedev pela TV. “O agressor foi punido e sofreu perdas muito consideráveis.”

Na quinta-feira passada, a Geórgia, aliada incondicional dos EUA, ocupou a província separatista da Ossétia do Sul para tentar retomar seu controle --a região goza de autonomia desde a década de 1990, sob proteção russa.

Moscou reagiu à operação georgiana enviando tropas para o país vizinho.

Os mercados financeiros reagiram positivamente às declarações de Medvedev. A Bolsa de Moscou subiu, e o rublo se valorizou.

O primeiro-ministro da Geórgia, Lado Gurgenidze, disse à Reuters que os russos ainda precisam comprovar o cessar-fogo. Ele afirmou que seu país continuará “preparado para tudo” até que Moscou assine um tratado de paz formal.

Chegando ao Kremlin para o encontro, Sarkozy disse que a suspensão dos combates foi “uma boa notícia”. “Um cessar-fogo agora tem de tomar forma. Precisamos preparar um rápido calendário para que cada lado possa voltar às posições de antes da crise.”

Medvedev estabeleceu duas condições para a resolução total do conflito: que as tropas georgianas voltem às posições iniciais, desmilitarizando-se parcialmente, e se comprometam a não usar a força. Não está claro se Tbilisi aceitaria tais condições.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, havia dito antes que não aceitaria a presença georgiana numa futura força de paz, já que os soldados de Tbilisi haviam atacado colegas russos durante a tentativa de ocupar a Ossétia do Sul na semana passada.

Lavrov rejeitou as acusações norte-americanas e georgianas de que Moscou estaria tentando derrubar o governo vizinho, mas disse: “Seria melhor se o (o presidente Mikheil Saakashvili) saísse.”

Na Geórgia, cinco civis morreram em explosões na terça-feira na cidade de Gori, segundo um correspondente da Reuters. Um analista disse, vendo imagens de TV, que as explosões provavelmente foram provocadas por morteiros, de origem não-identificada.

A emissora RTL disse posteriormente que um cinegrafista holandês morreu e um correspondente ficou ferido.

Reportagem adicional de Guy Faulconbridge, Oleg Shchedrov e Simon Shuster em Moscou, James Kilner em Tbilisi, Matt Robinson em Gori

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