16 de Setembro de 2008 / às 18:22 / em 9 anos

Indústria petroquímica está de olho no gás natural do pré-sal

Por Denise Luna e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria petroquímica poderá ser beneficiada pelos gigantescos volumes de gás natural que poderão ser retirados de áreas na camada pré-sal da bacia de Santos, afirmou o sócio-diretor da Gas Energy, uma consultoria especializada na área de gás natural e petroquímica presente em toda a América Latina.

De acordo com Carlos Alberto Lopes, o aproveitamento da parte líquida do gás, onde se encontram matérias-primas para a indústria petroquímica como etano, propano e butano, não compromete a venda do gás para usos energéticos e agregaria mais valor ao produto. Segundo ele, o etano “é a jóia da coroa para a petroquímica”.

“Nada contra a exportação do GNL, mas a indústria química oferece oportunidades de agregação de valor. Não vamos ficar dependentes da exportação de produtos primários”, disse Lopes durante a Rio Oil & Gas 2008, onde o debate sobre o pré-sal tem sido o tema dominante.

“Há muita expectativa do que será gerado de matéria-prima petroquímica no pré-sal, o que você vai poder retirar”, complementou.

Atualmente, a principal matéria-prima petroquímica é a nafta, cujo preço oscila com o petróleo e cuja demanda tem sido apertada em relação à oferta.

Na segunda-feira, Armando Guedes, ex-presidente da Petrobras e conselheiro do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), polemizou com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ao defender uma utilização mais nobre para o gás da bacia de Santos, que segundo a Gas Energy poderá significar produção de 100 a 120 milhões de metros cúbicos diários, contra os 60 milhões atuais.

De acordo com Lopes, para separar a parte líquida do gás natural seriam necessários investimentos maiores do que se apenas fossem extrair o gás e levá-lo à costa, ou se o gás fosse transformado em Gás Natural Liquefeito (GNL) em pleno alto-mar.

“Tecnicamente existem soluções, se são soluções rentáveis e suportam investimentos é necessário um estudo mais profundo, mas que tem que ser feito”, avaliou Lopes.

Ele informou que atualmente apenas no Catar se tem notícia de uma planta que separe os produtos líquidos do gás natural em pleno mar. “Mas é perto da costa”, afirmou. O campo de Júpiter, por exemplo, onde estima-se que exista uma grande quantidade de gás, está a 290 quilômetros do litoral fluminense.

Segundo Lopes, no projeto de Camisea, no Peru, desenvolvido pela argentina Pluspetrol, a parte térmica do gás está sendo vendida para uma térmica no México e será feito leilão para saber com quem fica a parte líquida que pode ser vendida para a indústria petroquímica.

“É um investimento a mais, porque você tem que extrair do gás esses componentes, que são as matérias-primas petroquímicas”, explicou.

Edição de Marcelo Teixeira

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