April 1, 2008 / 12:43 PM / 10 years ago

China mobiliza tropas de choque para a Olimpíada

PEQUIM (Reuters) - A China colocou uma força policial especial de prontidão para garantir a tranquilidade da Olimpíada deste ano, em um sinal de que a segurança será prioridade nos Jogos depois dos distúrbios de março no Tibete e arredores.

Lu Xiaohong, coordenador de mídia discursa ao lado de imagem da tocha Olímpica em Istanbul, 10 de abril de 2008. Photo by Fatih Saribas

“Sem garantias de segurança não pode haver Jogos Olímpicos bem-sucedidos, e sem garantias de segurança a imagem nacional será perdida”, disse o presidente Hu Jintao na edição de terça-feira do Noticiário da Polícia Armada do Povo, órgão oficial da tropa de choque chinesa.

A “ordem política de mobilização”, segundo o jornal, faz com que os membros da Polícia Armada do Povo se preparem para uma árdua temporada de trabalho antes e durante os Jogos.

“Os tambores da guerra estão soando, temos uma batalha decisiva pela frente. Pelo bem da imagem da nação chinesa e pela honra da Polícia Armada do Povo, nunca esqueçamos nosso dever”, disse o jornal.

Kevan Gosper, do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse que os chineses levam a segurança a sério e que os preparativos estão “excelentes”.

A repressão de março contra distúrbios no Tibete e em províncias vizinhas provocou protestos mundiais. Várias ONGs prometem manifestações durante os Jogos para chamar a atenção para as questões do Tibete, dos direitos humanos na China e da crise humanitária em Darfur, no Sudão (cujo governo Pequim apóia).

A China diz que já conseguiu evitar atentados planejados por separatistas muçulmanos da etnia uigur na região de Xinjiang (oeste).

O Congresso Mundial Uigur, com sede na Alemanha, está fazendo campanha por um boicote à cerimônia de abertura, para protestar contra a suposta opressão chinesa, segundo Dilxat Raxit, porta-voz da entidade.

“Concordamos que a atenção dada ao Tibete é adequada, mas não esqueçam de nós, uigures, porque do contrário a China pode nos reprimir com mais força”, afirmou Raxit por telefone à Reuters.

Os gastos com segurança em grandes eventos esportivos cresceram muito desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, mas a China diz que, usando pessoal e tecnologia próprios, pode manter a segurança dos Jogos por um valor bem inferior ao 1,8 bilhão de dólares gastos na Olimpíada de Atenas em 2004.

O excesso de segurança na cerimônia de acendimento da tocha olímpica, na segunda-feira, manteve os cidadãos comuns bem afastados da praça Tiananmen e ilustrou o temor do governo de que haja distúrbios durante a Olimpíada, que o regime deseja que seja um símbolo da prosperidade e da confiança da China.

Reportagem adicional de Chris Buckley

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