27 de Dezembro de 2007 / às 20:48 / em 10 anos

Atentado mata a ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto

Por Augustine Anthony

<p>A l&iacute;der oposicionista paquistanesa Benazir Bhutto foi morta na quinta-feira por um homem-bomba, mergulhando o pa&iacute;s em uma das piores crises dos seus 60 anos de hist&oacute;ria independente. Foto de Bhutto durante campanha em Gujranwala, Paquist&atilde;o, em 1986. Photo by Reuters</p>

RAWALPINDI, Paquistão (Reuters) - A líder oposicionista paquistanesa Benazir Bhutto foi morta na quinta-feira por um homem-bomba, mergulhando o país em uma das piores crises dos seus 60 anos de história independente.

O atentado, ocorrido depois de um comício em Rawalpindi, desencadeou uma onda de violência, especialmente na província do Sindh, e deve provocar o adiamento da eleição parlamentar de 8 de janeiro, que marcaria a volta do país ao regime civil.

Bhutto, 54 anos, era imensamente popular entre os pobres do Paquistão e esperava chefiar o governo pela terceira vez.

Ela morreu num hospital de Rawalpindi, onde fica a sede do Exército e onde o pai dela, o ex-premiê Zulfikar Ali Bhutto, foi enforcado em 1979, depois de ser deposto num golpe militar.

A polícia disse que o homem-bomba ainda fez disparos contra Bhutto antes de se lançar sobre ela na hora da explosão, que matou pelo menos 16 outras pessoas.

“É um ato dos que desejam que o Paquistão se desintegre”, disse Farzana Raja, dirigente do Partido do Povo do Paquistão, de Bhutto. “Eles acabaram com a família Bhutto.”

O ex-premiê Nawaz Sharif, que era adversário dela, disse que seu partido decidiu boicotar as eleições e culpou o presidente Pervez Musharraf, que o depôs em 1999, por criar instabilidade.

“Eleições livres não são possíveis na presença de Musharraf”, disse ele em entrevista coletiva em Islamabad. “Musharraf é a raiz de todos os problemas.”

O presidente impôs estado de emergência em novembro, numa aparente tentativa de impedir que o Judiciário se manifestasse contra sua reeleição. Sob pressão internacional, neste mês Musharraf deixou o cargo de comandante do Exército, tomou posse como líder civil e suspendeu o estado de emergência.

Em Karachi, capital da província do Sindh, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar. Pelo menos três agências bancárias, uma repartição pública e uma agência dos correios foram incendiadas, segundo uma testemunha. “Há confusão em praticamente todos os lugares”, disse uma autoridade policial.

PROTEGIDA DOS EUA

Os Estados Unidos, que dependem do Paquistão na luta contra a Al Qaeda e o Taliban no vizinho Afeganistão, confiavam em Bhutto, formada por Harvard e Oxford, como a melhor solução para a volta à democracia.

“Os Estados Unidos condenam fortemente este ato covarde de extremistas assassinos que estão tentando abalar a democracia do Paquistão”, disse o presidente George W. Bush em nota.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, viu no crime “uma agressão à estabilidade”, e o Conselho de Segurança estabeleceu consultas sobre a situação.

Em um curto pronunciamento, Musharraf condenou “nos termos mais fortes possíveis o ataque terrorista que resultou na trágica morte de Bhutto e de muitos outros paquistaneses inocentes”. Ele não fez menção à possibilidade de adiar as eleições.

Bhutto já havia sido alvo de um atentado suicida em 19 de outubro, quando ela desfilava por Karachi ao voltar de oito anos de exílio. O ataque matou quase 150 pessoas.

Benazir Bhutto foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra num país islâmico, ao ser eleita em 1988, aos 35 anos. Deposta em 1990, voltou ao cargo em 1993, mas foi novamente afastada em 1996, sob acusação de corrupção e incompetência, o que ela atribuía a motivações políticas.

Uma fonte do partido disse que o marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, está a caminho de Islamabad, onde recolherá o corpo para sepultá-lo em Larkana, cidade da família Bhutto, onde está enterrado o pai dela.

Reportagem adicional de Kamran Haider e Robert Birsel

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