12 de Novembro de 2007 / às 17:16 / 10 anos atrás

Inspetor de armas da ONU foi morto, diz parlamentar britânico

Por Michael Holden

<p>L&aacute;pide do ex-inspetor de armas da ONU David Kelly. O parlamentar brit&acirc;nico Norman Baker, da oposi&ccedil;&atilde;o liberal democrata, afirma em um livro lan&ccedil;ado na segunda-feira que a morte do ex-inspetor de armas da ONU n&atilde;o foi suic&iacute;dio, como diz a vers&atilde;o oficial, e que ele foi assassinado. Foto do Arquivo. Photo by Darren Staples</p>

LONDRES (Reuters) - O parlamentar britânico Norman Baker, da oposição liberal democrata, afirma em um livro lançado na segunda-feira que a morte do ex-inspetor de armas da ONU, David Kelly, em julho de 2003, não foi suicídio, como diz a versão oficial, e que ele foi assassinado. O episódio da morte de Kelly provocou uma grave crise no governo de Tony Blair.

A mulher de Kelly já afirmou publicamente acreditar que o marido tenha se suicidado. Vários críticos chamaram a afirmação de Baker de absurda.

David Kelly foi encontrado morto numa floresta perto de sua casa, poucos dias depois de ter revelado que fora a fonte para uma reportagem da BBC, segundo a qual o governo tinha “enfeitado” deliberadamente as informações da inteligência para justificar a invasão do Iraque.

A morte de Kelly abalou o governo Blair, e houve acusações de que a identidade de Kelly tinha sido revelada para desacreditar a reportagem da BBC.

O juiz lorde Hutton realizou um inquérito independente sobre a morte e decidiu em janeiro de 2004 que Kelly cortara o pulso esquerdo depois de tomar analgésicos perto de sua casa, em Oxfordshire, no centro da Inglaterra. Ele concluiu que Kelly se matou devido à exposição de seu nome na imprensa. Hutton inocentou Blair e as autoridades da morte.

Mas, no livro “The strange death of David Kelly” (A estranha morte de David Kelly), Baker diz acreditar que o cientista não tenha se suicidado.

“Estou convencido de que não foi suicídio. Se não foi suicídio, claramente não foram causas naturais nem acidente, e portanto tem de ter sido assassinato”, disse ele à Reuters numa entrevista.

Baker, que junto com seu partido sempre foi contra a guerra, disse que suas investigações revelaram uma série de razões que o fizeram questionar as conclusões “pouco confiáveis” de Hutton.

Segundo ele, é praticamente impossível se matar como Kelly fez. Além disso, havia pouco sangue no local, e não foram detectadas impressões digitais na faca.

Kelly também tinha marcado um vôo para o Iraque na semana seguinte, sua mulher não estava boa e sua filha estava às vésperas de se casar. Ele não deixou nenhum bilhete. Para Baker, todos esses fatos parecem contradizer o veredicto final.

Apesar das indicações de assassinato, Baker não especifica quem teria matado Kelly nem por quê. Suas principais suspeitas recaem sobre um grupo de iraquianos leais ao ex-presidente Saddam Hussein.

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