May 11, 2008 / 1:19 PM / 11 years ago

Tropas libanesas patrulham Beirute após retirada do Hezbollah

Por Laila Bassam

Tropas libanesas patrulham Beirute após retirada do Hezbollah. Tropas libanesas patrulharam Beirute na madrugada deste domingo após combatentes do Hezbollah terem se retirado de áreas que haviam controlado em conflitos contra simpatizantes do governo, que é apoiado pelos Estados Unidos. 11 de maio. Photo by Mohamed Azakir

BEIRUTE (Reuters) - Tropas libanesas patrulharam Beirute na madrugada deste domingo após combatentes do Hezbollah terem se retirado de áreas que haviam controlado em conflitos contra simpatizantes do governo, que é apoiado pelos Estados Unidos.

Mas os conflitos ainda ocorreram durante a noite em Trípoli, entre homens armados a favor e contra o governo. Fontes de segurança disseram que pelo menos duas pessoas foram mortas e cinco ficaram feridas antes de o Exército ser destacado para encerrar as batalhas na segunda maior cidade do Líbano.

A polícia divulgou que houve 44 mortos e 128 feridos nos cinco dias de conflitos em Beirute e em demais localidades.

Centenas de soldados apoiados por veículos blindados bloquearam estradas e fixaram posição nas ruas na principal região muçulmana da capital. Não havia combatentes à vista, mas jovens mantiveram barricadas em algumas estradas vitais, assegurando assim que portos e o aeroporto de Beirute permanecessem fechados.

A oposição, liderada pelo Hezbollah, afirmou que manterá a campanha de “desobediência civil” até que suas exigências sejam compridas.

O Hezbollah, um grupo político apoiado pelo Irã e pela Síria e que possui uma guerrilha armada, afirmou no sábado que estava encerrando sua presença armada em Beirute após o Exército ter subvertido ordens do governo contra o grupo.

Enquanto a tensão diminuía em Beirute, houve poucos progressos para resolver as disputas políticas que levaram o Líbano à pior crise desde a guerra civil, que durou entre 1975 e 1990.

“Tendo como parâmetro o nível que causou a crise imediata, estamos na metade do caminho para acabar com ela”, afirmou Paul Salem, diretor do centro leste do Carnegie Middle em Beirute.

Os conflitos começaram na quarta-feira, após o governo ter dito que estava tomando medidas contra a rede de comunicação militar do Hezbollah e ter demitido o chefe de segurança do aeroporto de Beirute, que é ligado ao grupo.

O Hezbollah classificou a medida contra suas comunicações como uma declaração de guerra, dizendo que a rede teve papel crucial na sua guerra de 34 dias contra Israel, em 2006.

MAIORES PREOCUPAÇÕES

O papa Bento 16 cobrou neste domingo diálogo para pôr fim à violência no Líbano. “Mesmo que nas últimas horas a tensão tenha diminuído, acho que temos hoje o dever de pedir aos libaneses que abandonem todos os tipos de confrontações que levariam esse querido país ao irreparável”, afirmou.

Os Estados Unidos, que consideram o Hezbollah um grupo terrorista, uma ameaça a Israel e uma arma nas mãos do arqui-inimigo Irã, comemoraram o fim dos conflitos.

O Irã culpou Washington pelas batalhas e apoiou uma solução interna para o impasse político em Beirute. “Os Estados Unidos estão diretamente interferindo nos assuntos internos do Líbano e, ao mesmo tempo, estão culpando a outros, acusando-os de interferirem no Líbano”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Ali Hosseini.

A Liga Árabe deu início a um encontro de emergência pedido pela Arábia Saudita e pelo Egito para discutir a crise libanesa.

O Líbano está em crise política há 18 meses e a oposição reivindica uma voz maior dentro do governo.

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