21 de Agosto de 2008 / às 15:48 / 9 anos atrás

Militares dos EUA libertam cinegrafista da Reuters no Iraque

Por Peter Graff

BAGDÁ (Reuters) - As Forças Armadas dos EUA libertaram um cinegrafista da Reuters na quinta-feira depois de mantê-lo detido por três semanas no Iraque sem acusá-lo formalmente de crime nenhum.

Ali al-Mashhadani, que também trabalha como freelance para a BBC e para a Rádio Nacional Pública (dos EUA), foi detido em Bagdá no dia 30 de julho, dentro da Zona Verde (uma área de segurança reforçada), enquanto se submetia a verificações de rotina para manter a carteira de jornalista fornecida pelos militares norte-americanos.

Soldados dos EUA haviam prendido Mashhadani duas vezes antes, em uma delas mantendo-o encarcerado durante cinco meses. Mas o cinegrafista, vindo de Ramadi (capital da Província de Anbar, no oeste do Iraque), nunca foi acusado de nada oficialmente.

Os militares norte-americanos disseram que, na última vez, Mashhadani foi detido "porque acabou sendo identificado como uma ameaça à segurança do Iraque e das forças de coalizão". Não foram fornecidos maiores detalhes.

O editor-chefe da Reuters, David Schlesinger, afirmou estar satisfeito com o fato de o cinegrafista haver sido libertado. Mas se disse preocupado porque essa era a terceira vez em que ele era "detido sem explicação".

"Se há questões legítimas a respeito dele ou de qualquer jornalista, que essas questões venham a público e sejam analisadas. Se não há nenhuma, que eles tenham liberdade de trabalhar livremente, sem medo ou intimidação."

Jon Williams, editor mundial da BBC News, afirmou: "Ali é parte de nossa família iraquiana --os colegas dele em Londres e em Bagdá estão felizes com a libertação dele. Agora esperamos que as autoridades militares dos EUA ofereçam uma explicação para a prisão de Ali."

O contra-almirante Patrick Driscoll, porta-voz das Forças Armadas norte-americanas, afirmou estar se preparando para responder às perguntas feitas pela Reuters.

A Reuters, a BBC, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, uma entidade com sede em Nova York, e grupos iraquianos de jornalistas haviam exigido dos militares que ou explicassem as acusações contra Mashhadani ou libertassem-no.

Os militares dos EUA dizem que, pelo mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) que rege a presença de forças estrangeiras no Iraque, eles podem deter qualquer um por tempo indeterminado caso considerem essa pessoa uma ameaça à segurança.

Os soldados norte-americanos haviam prendido Mashhadani em agosto de 2005, quando suspeitas surgiram devido aos filmes encontrados em câmeras dele durante uma busca em sua casa, em Ramadi. Ele foi libertado em janeiro de 2006 e encarcerado novamente por duas semanas na metade daquele ano.

A forma como ocorreu a mais recente detenção de Mashhadani foi inusitada, já que ele se encontrava dentro do centro de imprensa da Zona Verde. Para chegar até ali, o cinegrafista precisou ter sua identidade verificada e ter sido revistado em uma série de postos de controle.

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