17 de Setembro de 2008 / às 21:29 / em 9 anos

PETROBRAS quer reduzir parceiras em etanol para atingir meta

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 17 de setembro (Reuters) - A Petrobras quer restringir o número de parcerias nas 20 usinas de etanol que pretende construir no Brasil para atingir a meta de 4,75 bilhões de litros do combustível em 2012, informou o presidente da Petrobras Biocombustíveis, Alan Kardec.

Seguindo a política de desenvolver os projetos com parceiros nacionais e internacionais, Kardec disse que gostaria de ter “no máximo entre 5 e 6 parceiros nacionais e um ou dois internacionais”, ressaltando que “adoraria” se a japonesa Mitsui, que assinou o primeiro contrato com a companhia para produção de etanol, fechasse outros acordos.

“Não queremos assinar vários contratos, quanto menos melhor para dar a velocidade que queremos nesse processo...gostaríamos de ter novas parcerias com a Mitsui”, disse Kardec, afirmando que no âmbito nacional empresas de grande e médio porte também conversam com a companhia.

Ele explicou que apesar de estar negociando a venda de etanol para os Estados Unidos, em um volume que pode atingir 4 bilhões de litros, quase a totalidade da produção prevista para daqui a quatro anos, o mercado do Japão ainda interessa à Petrobras, mas que os volumes seriam bem menores que para o mercado norte-americano.

No momento, Kardec conversa com uma petrolífera norte-americana sobre exportações para os Estados Unidos, mas não quis revelar o nome devido a contrato de confidencialidade.

“Não vamos desistir nunca do mercado japonês, mas eles precisam ainda definir sua legislação para motores”, afirmou o executivo ao ser questionado se o projeto original de abastecer de etanol o mercado japonês teria sido abandonado com as negociações nos EUA.

“Mas teremos etanol para todo mundo, o volume para o Japão não é tão grande”, explicou.

A decisão de atuar apenas em exportação de etanol produzido no Brasil poderá ser revista no plano estratégico que a companhia deverá divulgar para o período 2009-2020, disse o executivo.

“O que está estabelecido hoje é que é mercado externo, mas estamos revisando o plano estratégico, no novo (plano) pode continuar ou mudar, mas só em meados de outubro será divulgado”, antecipou Kardec.

E ao contrário das expectativas de que a descoberta do pré-sal pudesse estagnar os planos da Petrobras para o segmento de biocombustíveis, Kardec informou que na revisão do plano a previsão de investimentos de 1,5 bilhão de dólares pode ser elevada.

BIODIESEL

Kardec informou que além da mega-usina de biodiesel que prevê para entrar em operação até 2012, com capacidade para 300 milhões de litros, a empresa deverá construir pelo menos mais cinco de 100 milhões de litros se no plano estratégico mantiver a política da Petrobras continuar sozinha nos projetos do segmento.

A empresa tem como meta produzir 938 milhões de litros até 2012, ou 40 por cento do mercado brasileiro, e atualmente produz apenas 170 milhões, ou 13 por cento do mercado.

“Se os projetos continuarem a ser 100 por cento Petrobras deverão ser cinco de 100 (milhões de litros), é um tamanho bom”, informou.

A mega-usina ainda não tem localização definida mas, segundo Kardec, utilizará uma mistura de dendê com mamona (30 por cento), o que levou a especulações de que seria na Bahia. “Não está confirmado Bahia”, afirmou, sem dar pistas de onde o projeto seria construído.

Ele previu que até o final do programa, em 2012, a Petrobras terá através do biodiesel empregado entre 70 e 80 mil famílias brasileiras. Até o momento, a empresa tem 55 mil famílias produzindo oleaginosas para as fábricas da estatal.

Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira

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