6 de Março de 2008 / às 22:40 / 10 anos atrás

Crise nos Andes não afeta economia local, dizem especialistas

Por Hugh Bronstein

BOGOTÁ (Reuters) - As economias de Colômbia, Venezuela e Equador não devem ser afetadas pela crise diplomática provocada pela incursão militar colombiana em território equatoriano, segundo especialistas ouvidos na quinta-feira.

Por causa da crise, a Venezuela reduziu ao mínimo essencial o comércio que passa por seus 2.219 quilômetros de fronteira com a Colômbia -- apenas produtos perecíveis estão sendo autorizados a entrar.

Mas os economistas lembram que há grande vinculação entre os dois países, e que por isso o confronto não deve se prolongar.

“A Colômbia responde por quase um quinto do fornecimento de alimentos para a Venezuela”, disseram em nota analistas do Royal Bank of Scotland. “Com uma inflação anual de 25 por cento, um ‘choque de oferta’ na Venezuela seria um duro golpe para o presidente [Hugo] Chávez.”

O comércio entre Colômbia e Equador não foi afetado, e a fronteira de 586 quilômetros permanece aberta.

Os governos da Venezuela e do Equador exigem que Bogotá se desculpe pela invasão do território equatoriano e prometa nunca mais usar tropas em países vizinhos para perseguir militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

“Mas há muitas razões para acreditar que a disputa não vai se ampliar a partir daí”, disseram os analistas do RBS.

O último atrito entre Chávez e o presidente conservador da Colômbia, Álvaro Uribe, provocado pela prisão de um líder das Farc por agentes da Colômbia em território venezuelano, durou cerca de um mês, mas ocorreu num momento de grande popularidade de Chávez -- não tão expressiva agora, em parte devido à pressão inflacionária na Venezuela, segundo o RBS.

Chávez, que enviou tropas à fronteira e rompeu relações com Bogotá, ameaçou na quarta-feira nacionalizar bens de empresas colombianas na Venezuela. Uribe, por sua vez, ameaça levar Chávez ao Tribunal Internacional de Haia por supostamente contribuir financeiramente com a guerrilha das Farc.

“Ambos estão fazendo ameaças que provavelmente não podem cumprir”, disse Pablo Casas, analista da entidade Segurança e Democracia, de Bogotá. “Os venezuelanos precisam comprar comida e outros bens que a Colômbia precisa vender. Precisamos demais uns dos outros para que isso tenha uma escalada a partir daqui.”

Mas nem todos os analistas se mostram tão confiantes. “A crise diplomática vai reduzir mais um ponto percentual [no crescimento], e a economia colombiana vai crescer 4 por cento em vez de 5 por cento”, disse o economista Mauricio Rodríguez, diretor da escola de administração Cesa, de Bogotá.

Mas a HSBC Securities mantém sua previsão de crescimento de 5,65 por cento na Colômbia, 2,2 por cento no Equador e 7 por cento na Venezuela.

Assim como a Venezuela depende das exportações colombianas de alimentos, o Equador depende muito das exportações colombianas de energia, especialmente de eletricidade, segundo Maya Hernández, que acompanha questões latino-americanas para o HSBC em Nova York.

“A relação comercial entre Equador e Colômbia é pequena, mas crescente. [O presidente do Equador, Rafael] Correa pode receber um estímulo nacionalista em sua popularidade para esta disputa, mas não deve levar isso longe demais”, afirmou.

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