29 de Junho de 2008 / às 15:35 / 9 anos atrás

Mugabe é declarado vencedor no Zimbábue em meio a críticas

Por Cris Chinaka

HARARE (Reuters) - O presidente do Zimbábue Robert Mugabe foi declarado neste domingo vencedor de uma eleição amplamente rejeitada, que observadores africanos afirmam ter sido maculada pela violência e pela intimidação.

A Comissão Eleitoral do Zimbábue disse que Mugabe venceu o pleito de sexta-feira, no qual era o único candidato.

Mugabe, no poder desde a independência da Grã-Bretanha em 1980, deve tomar posse ainda hoje, informaram as autoridades.

O líder da oposição Morgan Tsvangirai, que se retirou da eleição uma semana atrás dizendo que cerca de 90 de seus apoiadores foram mortos por milícias sustentadas pelo governo, desdenhou a posse como um gesto sem significado.

Mugabe, de 84 anos, declarou ter obtido “uma vitória arrasadora”, mas os números da votação não foram disponibilizados imediatamente.

Tsvangirai, que rejeitou o convite de Mugabe para comparecer ao juramento de posse, disse que na segunda-feira irá solicitar aos líderes da União Africana reunidos no Egito que não reconheçam a reeleição.

George Charamba, porta-voz de Mugabe, disse que o convite ao oposicionista foi feito pelo presidente na intenção de dialogar. “É um grande passo rumo à conciliação política.”

Tsvangirai rejeitou totalmente a oferta. “Todo o mundo condenou a eleição, o povo zimbabuano não irá dar a esse governo legitimidade e apoio.”

Mugabe sofre pressão na África para iniciar conversas com Tsvangirai sobre a crise política e econômica do país. Ele levou adiante a votação em desafio à comunidade internacional e apesar do desdém generalizado ao pleito, qualificado como uma farsa.

Tsvangirai disse que a oposição está comprometida com as conversações patrocinadas pela União Africana com o governo de Mugabe, embora nenhuma negociação tenha sido iniciada.

Mugabe desafiou um coro de pedidos para que cancelasse a eleição e negociasse com Tsvangirai, que derrotou Mugabe e seu partido Zanu-PF no primeiro turno de 29 de março porém sem vantagem suficiente, o que exigiu a realização do segundo turno na última sexta-feira.

Observadores do parlamento Pan-africano, um dos poucos grupos habilitados a monitorar o voto de sexta-feira, disseram que a eleição foi tão irregular que deveria ser refeita.

A posse permite a Mugabe ampliar seus 28 anos ininterruptos de governo antes de comparecer à cúpula da UA na segunda-feira, durante a qual prometeu confrontar seus críticos.

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