22 de Maio de 2008 / às 14:35 / em 9 anos

ONU prevê supersafra global, mas diz que comida seguirá cara

Por Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - O mundo terá uma supersafra de alimentos neste ano, mas isso não deve bastar para impedir que nos países mais pobres o custo da alimentação quadruplique em relação ao começo da década, disse a ONU na quinta-feira.

O aumento da área plantada e o clima propício devem fazer com que a colheita de trigo seja 8,7 por cento superior à do ano passado, e por isso o preço do produto já caiu cerca de 50 por cento desde fevereiro, segundo a FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura).

“Esta melhora na oferta deveria em princípio ajudar, mas não esperamos ver os preços caindo para onde estavam antes”, disse o diretor-geral-assistente Hafez Ghanem em entrevista coletiva para apresentar um relatório semestral sobre as perspectiva agrícolas globais.

Desde o ano passado, os alimentos vêem subindo de preço devido a uma conjunção de vários fatores -- uso de terras para a produção de biocombustíveis, transtornos climáticos, aumento da demanda em países como Índia e China, especulações no mercado e o aumento do preço do petróleo.

As populações pobres são as mais afetadas por esse problema, e em vários países houve protestos contra o preço dos alimentos.

O relatório prevê que a oferta de arroz continuará limitada, e os países pobres que dependem da importação de alimentos podem ver seus gastos subirem até 40 por cento neste ano, depois de um aumento semelhante em 2007.

Ao todo, a produção global de cereais deve crescer 3,8 por cento, puxada pela supersafra do trigo, segundo a FAO.

Os EUA terão sua maior safra do produto desde 1998, com um crescimento de 16 por cento sobre o ano passado. A União Européia, que suspendeu uma regra sobre a rotação de cultivos e o descanso regular das terras, terá uma safra de trigo 13 por cento maior.

Mas os preços não devem despencar porque a demanda continua crescendo e há necessidade de recompor os estoques, segundo a FAO. O custo total da importação de alimentos vai superar neste ano pela primeira vez a marca de 1 trilhão de dólares, depois de um aumento de até 26 por cento em relação a 2007.

“Nas últimas semanas, os preços internacionais de muitos produtos agrícolas começaram a cair, e os primeiros indicadores não excluem novos declínios nos próximos meses, embora os preços dificilmente voltem aos níveis baixos devido a uma série de razões”, disse o relatório.

A produção de arroz deve crescer neste ano, em 2,3 por cento, e ao contrário de 2007 haverá mais produção do que consumo desse produto, que é um item básico para cerca de metade da humanidade.

Mas, devido às restrições contra exportações em vários países produtores, não haverá arroz suficiente no mercado internacional para derrubar a cotação, que teve alta de 71 por cento no primeiro quadrimestre.

“A pressão diminuiria consideravelmente caso a Índia, que deve ter uma supersafra secundária em 2007, relaxasse as atuais restrições às exportações”, disse o texto.

Ghanem afirmou que o mundo deveria se empenhar mais em promover o acesso de agricultores da África a sementes e fertilizantes, para que melhorem sua produtividade.

A FAO promove uma cúpula em Roma entre 3 a 5 de junho para discutir medidas contra a crise alimentar global.

De acordo com o relatório, a quantidade de grãos usados na produção de biocombustíveis crescerá 40 por cento neste ano. De um total de 98 milhões de toneladas usadas nesse setor, o milho responderá por 92 milhões (sendo 79 milhões só nos EUA).

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