31 de Março de 2008 / às 13:46 / em 10 anos

China recebe tocha olímpica com orgulho e vigilância

Por Nick Mulvenney

PEQUIM, 31 de março (Reuters) - A chama olímpica foi recebida com aplausos e danças na segunda-feira em Pequim, mas os próximos 130 dias de trajeto dela pelo mundo devem desencadear protestos em favor do Tibet.

Foi montado um rígido esquema de segurança para que o presidente Hu Jintao acendesse a pira colocada sobre o tapete vermelho de um palanque na Praça da Paz Celestial, para em seguida entregar a chama ao campeão olímpico dos 110 metros com barreiras Liu Xiang, que fez correndo o primeiro trecho simbólico do revezamento.

“O sonho de um século do povo chinês em receber os Jogos Olímpicos se fez realidade”, disse Xi Jinping, eventual herdeiro político de Hu e responsável pelos preparativos olímpicos.

“O revezamento da tocha irá unir a força de toda uma nação no esforço para realizar Jogos Olímpicos únicos e bem feitos e para promover o desenvolvimento nacional, o progresso social e o bem-estar das pessoas”, acrescentou.

Mas a “Jornada de Harmonia” destinada a ilustrar a unidade chinesa deve se tornar alvo de protestos.

Na cerimônia de acendimento da tocha, na semana passada em Olímpia, ativistas gregos mostraram cartazes contra a situação dos direitos humanos na China. No domingo, um pequeno grupo de manifestantes tentou impedir a entrega da chama a autoridades chinesas.

Esses protestos não foram citados nos curtos discursos feitos na segunda-feira por Xi e pelo diretor dos Jogos, Liu Qi, que no entanto não economizaram expressões como “paz e amizade”.

“Acreditamos que com os esforços conjuntos das cidades do revezamento da tocha, e de todas as partes envolvidas, o revezamento da tocha de Pequim-2008 obterá pleno êxito”, disse Liu.

A chama, protegida por uma lanterna, foi escoltada na segunda-feira para fora do avião fretado que a trouxe da Grécia. Em seguida, foi levada para a Praça da Paz Celestial, epicentro dos protestos pró-democracia esmagados pelo regime comunista em 1989.

Policiais e agentes à paisana tomaram as ruas, também isoladas com fitas amarelas. A cerimônia na praça, sob o gigantesco retrato de Mao Tse-tung, pai da China comunista, transcorreu sem contratempos.

“Isso é algo que deveria deixar o povo chinês feliz. Os protestos no exterior são inadequados porque as pessoas no exterior também deveriam estar contentes com os feitos chineses”, disse Song Haifeng, 22 anos, que estava entre as milhares de pessoas que assistiam à festa detrás do cordão de isolamento.

A cerimônia contou também com danças étnicas (inclusive tibetanas) e com apresentação de estudantes, operários e outros entusiastas dos Jogos agitando pompons e bandeiras.

O percurso internacional da tocha começa na terça-feira, com sua chegada ao Casaquistão. Ela volta a Pequim em 6 de agosto, depois de viajar por toda a China. Dois dias depois, será usada para acender a pira olímpica na cerimônia de abertura dos Jogos.

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