20 de Dezembro de 2007 / às 13:38 / 10 anos atrás

Custos elevados reduzem atuação da Petrobras na Venezuela

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os elevados custos de exploração e produção de petróleo do campo venezuelano de Carabobo surpreenderam a Petrobras (PETR4.SA), e a participação da estatal na joint-venture com a PDVSA será de no máximo 10 por cento, ante até 40 por cento estimados inicialmente, afirmou o diretor da área internacional da companhia, Nestor Cerveró.

“Hoje, a cem dólares o barril, qualquer coisa é viável. Mas se você tem um portfólio diversificado, vai no menor custo, é claro. É isso que nós estamos fazendo”, disse ele a jornalistas na noite quarta-feira.

Segundo o diretor, os custos em Carabobo estão orçados em cerca de 12 bilhões de dólares, quase o dobro do investimento necessário para explorar e produzir petróleo em outras regiões.

“Olhando o portfólio que temos hoje, Carabobo é um custo muito alto e maior que todas as alternativas que nós temos. É mais caro que Nigéria, Angola, Golfo do México e Turquia”, afirmou Cerveró.

“Nossa decisão não tem nada ver com política. É uma decisão econômica da Petrobras”.

O executivo afirmou que até março do ano que vem a participação da estatal brasileira no campo de Carabobo será definida, mas não está descartada a possibilidade de a empresa desisitr completamente do investimento.

“Nossa opção é investir até 10 por cento, mas pode ser zero, dadas as condições de viabilidade. Só vamos entrar se for interessante. Podemos ficar sem nada”, explicou.

O memorando de entendimentos firmado entre Petrobras e a PDVSA previa uma participação da brasileira em Carabobo de 40 por cento, ficando os outros 60 por cento com a estatal venezuelana.

Em contrapartida, as duas companhias criariam uma joint-venture para a construção da Refinaria de Pernambuco, sendo que a Petrobras teria uma participação de 60 por cento na unidade e a PDVSA, 40 por cento.

Pelo acordo, parte do petróleo que será refinado em Pernambuco virá do campo de Carabobo, e cem mil barris sairão do campo de Marlim, na Bacia de Campos.

TOTAL E REPSOL

O diretor da Petrobras anunciou que a estatal e a Total (TOTF.PA) vão assinar na próxima sexta-feira um memorando de entendimentos para a produção de petróleo no Marrocos e na Jordânia extraído de rochas de xisto.

O executivo afirmou que a Petrobras é pioneira na exploração de petróleo a partir do xisto. A empresa atua nesse segmento desde a década 1950 e atualmente são produzidos cerca de 5 mil barris ao dia no estado do Paraná.

“Nós teremos 50 por cento de participação no projeto e eles, os outros 50 por cento”, completou.

Cerveró disse ainda que a Petrobras e a Repsol (REP.MC) irão anunciar na próxima semana uma descoberta de gás perto do campo de Camiséia, no Peru.

“O Peru vai ser a grande sensação. É uma possível descoberta no campo 47. É algo de porte grande”, adiantou o executivo, sem revelar os volumes das reservas.

Segundo ele, a Petrobras tem uma participação de 47 por cento no campo, e a Repsol tem 53 por cento.

Texto de Camila Moreira; Edição de Marcelo Teixeira

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