18 de Dezembro de 2007 / às 13:27 / em 10 anos

Presidentes do Mercosul iniciam cúpula para ir além da economia

Por Lucas Bergman

<p>(Da esquerda para a direita): Os presidentes do Chile, Michelle Bachelet, Paraguai, Nicanor Frutos, Uruguai, Tabar&eacute; Vazquez, Argentina, Cristina Kirchner, Brasil, Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, Venezuela, Hugo Ch&aacute;vez e Bol&iacute;via, Evo Morales, posam antes da c&uacute;pula do Mercosul, no Uruguai. Photo by Reuters</p>

MONTEVIDÉU (Reuters) - Os presidentes de vários países latino-americanos reuniram-se nesta terça-feira, em Montevidéu, para participar de uma cúpula do Mercosul, diante de uma agenda marcada por conflitos políticos -- como a crise na Bolívia -- e que deixa pouco espaço para avanços rumo a uma maior integração econômica.

O maior sucesso a ser mostrado pelos membros plenos do bloco, do qual participam o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, é o acordo de livre comércio firmado com Israel na manhã desta terça-feira, o primeiro do Mercosul com um país de fora da América Latina.

Mas não se discutirão na cúpula os eternos conflitos comerciais entre as maiores economias do bloco -- a brasileira e a argentina -- e as menores -- a uruguaia e a paraguaia.

“Somos uma região relativamente jovem. Temos futuro e acredito que a integração é uma das chaves do nosso futuro como região”, afirmou em um discurso o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, quando abriu o encontro dos presidentes.

O Mercosul espera ansiosamente que os Congressos do Brasil e do Paraguai ratifiquem o ingresso, como membro pleno do bloco, da Venezuela, um país considerado fundamental para a integração regional em termos energéticos devido a suas enormes reservas de petróleo e gás natural.

“Nós já nos consideramos do Mercosul, apesar de ainda faltar esse ato legislativo de dois dos países fundadores”, afirmou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, quando chegou a Montevidéu, na madrugada de segunda para terça-feira.

No Brasil, congressistas da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva resistem ao ingresso da Venezuela devido à chamada revolução socialista defendida por Chávez.

OUTROS PARTICIPANTES

Além dos líderes do bloco, a cúpula contará com a presença da presidente do Chile, Michelle Bachelet, e de seu colega da Bolívia, Evo Morales, que enfrenta um acirrado conflito interno devido a uma nova Constituição -- a oposição resiste ao texto porque ele prevê a nacionalização da economia.

Morales deve receber apoio da região, na forma de uma declaração a ser divulgada no final da cúpula, afirmaram autoridades à Reuters.

Outro elemento político do encontro promete ser o processo judicial aberto nos EUA para investigar se a Venezuela tentou enviar ilegalmente 800 mil dólares para a campanha da agora presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

O clima do encontro foi definido assim por Chávez: “Vamos avaliar não apenas a situação do Mercosul, mas a da América do Sul.”

“Felizmente, conseguimos escapar de uma espécie de armadilha. Essas reuniões eram antes marcadas por assuntos de viés exclusivamente econômico, comercial. Nós não somos comerciantes, somos líderes políticos”, disse.

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