26 de Dezembro de 2007 / às 23:47 / em 10 anos

Colômbia autoriza plano de Chávez para receber reféns das Farc

Por Fabián Andrés Cambero e Luis Jaime Acosta

CARACAS/BOGOTÁ (Reuters) - A Colômbia autorizou na quarta-feira um plano humanitário do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para receber três reféns da guerrilha Farc, inclusive um menino nascido em cativeiro.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram há uma semana a intenção de libertar unilateralmente a ex-deputada Consuelo González, a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas e o filho dela, Emmanuel, nascido em cativeiro de uma relação com um guerrilheiro.

“O governo da Colômbia autoriza a missão humanitária nos termos da sua carta e delega como seu representante o doutor Luis Carlos Restrepo”, anunciou o chanceler Fernando Araújo em carta dirigida a seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro.

Se concretizada, essa será a mais importante liberação unilateral de reféns da guerrilha na história da guerra civil iniciada há mais de 40 anos.

Antes da resposta de Bogotá, Chávez disse em entrevista coletiva em Caracas, apontando um mapa, que o plano é minucioso e será comandado por seu ex-ministro de Interior Ramón Rodríguez Chacín.

“Estamos prontos para ativar a operação, e tomara que nas próximas horas se consiga a libertação de Clara, Consuelo e do menino Emmanuel”, afirmou.

O plano anunciado por Chávez envolverá representantes de Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador e França, que viajariam numa caravana de aviões e helicópteros da Venezuela até a cidade colombiana de Villavicencio, e de lá, em helicópteros com emblema da Cruz Vermelha Internacional, até um local não revelado da selva, onde recolheriam os reféns e os levariam a Villavicencio ou diretamente à Venezuela.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, será o representante do Brasil. Ele deve embarcar na quinta-feira de manhã para Caracas. Da Argentina, irá o ex-presidente Néstor Kirchner.

PARENTES CONFIANTES

As Farc anunciaram a libertação como gesto de desagravo a Chávez, que havia sido afastado pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, de uma tentativa de mediação.

A decisão enfureceu Chávez e gerou a pior crise diplomática entre ambos os países nos últimos anos.

Os três reféns a serem soltos são parte de um grupo de 47 pessoas sequestradas há anos pelas Farc e que poderiam ser trocadas por cerca de 500 guerrilheiros presos.

Antes de receber o sinal verde de Bogotá, Chávez afirmou que o plano poderia ser acionado imediatamente e convidou parentes dos reféns e jornalistas a participarem da caravana aérea.

Acrescentou que haveria também “alguma das operações clandestinas” para libertar os reféns caso Uribe rejeitasse a proposta oficial. Nesse caso, esclareceu Chávez, a operação não se daria no território da Colômbia.

O representante do Equador na comissão da libertação, Gustavo Larrea, afirmou que as Farc poderão libertar já na quinta-feira os reféns.

“Viajaremos até a Colômbia amanhã (quinta-feira) de manhã. Esperamos chegar ao local da troca amanhã mesmo, e poder na noite de amanhã entregar os reféns a suas famílias em Bogotá, Colômbia”, disse Larrea.

Parentes dos sequestrados se disseram confiantes. “Estamos otimistas de que tudo vai terminar bem”, disse a jornalistas Iván Rojas, irmão de Clara Rojas, que foi assessora e candidata a vice de Ingrid Betancourt, também sequestrada em 2002.

Sobre as relações diplomáticas com a Colômbia, Chávez disse que pretende “melhorá-las e colocá-las no nível que tinham antes”.

Reportagem de Ana Isabel Martínez e Fabián Andrés Cambero em Caracas, e Luis Jaime Acosta em Bogotá

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