10 de Março de 2008 / às 13:04 / 10 anos atrás

Após reeleição de Zapatero, Espanha prepara estímulo à economia

<p>O primeiro ministro espanhol Jos&eacute; Luis Rodriguez Zapatero gesticula durante confer&ecirc;ncia de imprensa em Madri, ap&oacute;s vencer as eli&ccedil;&otilde;es presidenciais. O governo socialista espanhol prepara na segunda-feira um programa de obras p&uacute;blicas para estimular a economia, depois da vit&oacute;ria eleitoral da v&eacute;spera. Photo by Susana Vera</p>

Por Jason Webb e Andrew Hay

MADRI (Reuters) - O governo socialista espanhol prepara na segunda-feira um programa de obras públicas para estimular a economia, depois da vitória eleitoral da véspera.

O primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero ampliou sua bancada parlamentar, mas novamente ficou sem a maioria absoluta, o que significa que provavelmente terá de negociar a aprovação de projetos com o partido nacionalista catalão CiU.

A bancada socialista subiu de 164 para 169 deputados (num total de 350). O oposicionista Partido Popular também cresceu, alcançando 153 vagas, enquanto vários pequenos partidos esquerdistas e regionais perderam espaço.

O comparecimento às urnas foi de 75 por cento do eleitorado, num pleito marcado pelo assassinato de um ex-vereador socialista no País Basco, atribuído ao grupo separatista ETA.

Zapatero prometeu no domingo governar para os pobres, as mulheres e os jovens, mantendo a linha progressista do primeiro mandato, quando o governo legalizou as uniões homossexuais e facilitou o processo de divórcio, apesar das resistências católicas.

Mas, após anos de expansão, a economia espanhola experimenta forte desaceleração desde o início da crise global do crédito, em 2007. Por isso, a prioridade de Zapatero será controlar o desemprego, que só em fevereiro atingiu mais 50 mil pessoas, afetando agora um total de 2,3 milhões.

“Temos a confiança que vem de um superávit orçamentário”, disse o ministro do Trabalho, Jesús Caldera, explicando que o superávit de 2 por cento do PIB facilitará o financiamento de grandes obras públicas.

Mas analistas têm dúvidas sobre a eficácia das obras para corrigir problemas econômicos de longo prazo num país que durante anos dependeu de um surto imobiliário e do endividamento do setor privado.

“Eles sabem que precisam fazer algo rapidamente, há uma forte sensação de urgência. As nuvens negras se formaram, a questão é quão forte será a chuva”, disse Martin Van Vliet, economista-chefe do ING Amsterdam.

O governo espera que o aumento dos gastos públicos mantenha o crescimento econômico na faixa de 3 por cento, após a expansão de 3,8 por cento em 2007. Alguns economistas, porém, acham que famílias e empresas estão endividadas demais, e que isso pode afetar o crescimento. O endividamento privado se reflete no fato de que o atual déficit em conta-corrente atinge quase 10 por cento do PIB.

“É uma decisão sábia usar parte do superávit orçamentário para dar um impulso à economia”, disse Van Vliet, acrescentando, porém, que tais gastos não vão resolver os problemas espanhóis com competitividade e educação. Economistas dizem que o país precisa desesperadamente tornar suas exportações mais atrativas e incentivar investimentos externos em todos os setores, e não só no imobiliário.

“Estão todos focados em dar um impulso à economia, um impulso muito necessário, mas isso desvia o foco em relação às reformas no contexto de um enorme déficit em conta corrente. É um risco preocupante no longo prazo”, afirmou o economista.

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