29 de Dezembro de 2007 / às 13:10 / em 10 anos

Partidário de Bhutto é morto em onda de violência no Paquistão

Por Zeeshan Haider

<p>Homens mascarados mataram neste s&aacute;bado um simpatizante da l&iacute;der da oposi&ccedil;&atilde;o paquistanesa Benazir Bhutto, assassinada na quinta-feira, no terceiro dia de viol&ecirc;ncia ap&oacute;s a morte da ex-premi&ecirc;. Foto de manifesta&ccedil;&atilde;o de apoiadores de Bhutto, em Lahore, 29 de dezembro. Photo by Mohsin Raza</p>

ISLAMABAD (Reuters) - Homens mascarados mataram neste sábado um simpatizante da líder da oposição paquistanesa Benazir Bhutto, assassinada na quinta-feira, no terceiro dia de violência após a morte da ex-premiê. Militantes ligados à Al Qaeda negaram a autoria do crime. O governo do Paquistão disse na sexta-feira ter provas de que a Al Qaeda é responsável pelo ataque suicida contra a ex-premiê de 54 anos, cuja morte empurrou o país para uma crise e gerou protestos violentos. Mas um porta-voz do líder da Al Qaeda acusado pelo governo negou envolvimento no caso. O partido de Bhutto descartou a explicação oficial, dizendo que a administração do presidente Pervez Musharraf estava tentando encobrir seu fracasso em protegê-la.

Os paquistaneses continuavam em alerta no sábado, após protestos incendiarem lojas, caminhões, centros de auxílio e ambulâncias durante a noite.

“Há muitos motins no meu bairro, em Clifton. Tudo foi queimado. Lojas estão sendo saqueadas”, disse Ali Khan, 36, gerente da Audi Paquistão, diante de sua loja no distrito comercial de Karachi.

Em Karachi, um homem de 27 anos usando uma túnica feita com a bandeira do Partido do Povo Paquistanês (PPP) foi morto por atiradores. Ele havia gritado “Bhutto é incrível” enquanto retornava do mausoléu onde a líder oposicionista foi enterrada na sexta-feira, segundo a polícia.

A morte eleva para 33 o número de mortos na onda de violência deflagrada pelo ataque suicida que matou Bhutto, gerando temores de que as eleições de 8 de janeiro, que deveriam restaurar governo civil no país aliado aos Estados Unidos, poderão ser adiadas. Na sexta-feira, Javed Iqbal Cheema, porta-voz do Ministério do Interior, disse em entrevista coletiva: “Nós temos informações da inteligência que indicam que o líder da Al Qaeda Baitullah Mehsud está por trás do assassinato (de Bhutto).”

No entanto, um porta-voz de Mehsud negou as acusações. “Eu nego com veemência. Membros de tribos têm seus próprios costumes. Nós não atacamos mulheres”, disse Maulvi Omar por telefone de um local não-identificado.

Um porta-voz do partido de Bhutto disse que o governo precisa mostrar evidências sólidas.

“O governo está nervoso”, disse. “Eles estão tentando encobrir a falha (em dar a proteção adequada a Bhutto).”

O marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, disse à BBC que o testamento dela seria lido pelo filho em um encontro com o PPP no domingo. Questionado se ele gostaria de liderar o partido, Zardari respondeu: “Depende do partido e depende do testamento.” Muitos partidários de Bhutto entoaram slogans contra Musharraf e os Estados Unidos, que apóia o ex-general na esperança de que ele assegure a estabilidade e também por depender do Paquistão como aliado contra a Al Qaeda e o Taliban do Afeganistão.

Musharraf tomou o poder em um golpe militar em 1999, mas deixou o Exército no mês passado para se tornar um presidente civil.

Até o momento, o governo ainda não anunciou o adiamento das eleições.

“Eu não acredito que seja possível realizar as eleições”, disse Mohammad Rashid, 34, morador de Karachi.

O partido da oposição liderado pelo ex-premiê Nawaz Sharif afirmou que irá boicotar as eleições de janeiro, se forem realizadas, e um porta-voz afirmou no sábado que Sharif tenta convencer o PPP de Bhutto a fazer o mesmo.

Reportagem adicional de Kamran Haider, Zeeshan Haider e Simon Gardner

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