31 de Agosto de 2008 / às 15:01 / 9 anos atrás

Gustav faz Nova Orleans ordenar desocupação da cidade

Por Tim Gaynor and Kathy Fin

NOVA ORLEANS, 31 de agosto (Reuters) - O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, ordenou neste domingo que seus mais de 239 mil habitantes abandonem a cidade, às vésperas da chegada do poderoso furacão Gustav.

A ordem de desocupação foi a primeira em Nova Orleans desde que o furacão Katrina devastou a cidade histórica do sul americano em agosto de 2005.

“Esta é a mãe de todas as tempestades”, disse Nagin sobre o Gustav, uma tempestade monstruosa de categoria 4 que pode se aproximar do centro da costa da Louisiana, a oeste de Nova Orleans, neste domingo.

“Vocês devem se preocupar, devem tirar o traseiro do lugar e sair da cidade já”, disse Nagin na sede da prefeitura. “Esta é a tempestade do século”.

A ordem de desocupação, que não será imposta fisicamente pelas autoridades, teria início na rebaixada margem oeste da cidade a partir das oito da manhã deste domingo (hora local), seguida pela margem leste ao meio-dia, disse Nagin aos repórteres.

Os residentes têm a opção de ficar para trás e enfrentar a tempestade, mas “seria um dos maiores equívocos que se pode cometer nesta vida”, declarou o prefeito.

Ele disse que as pessoas podem ter que abrir brechas nos tetos de suas casas para escapar da enchente se decidirem permanecer. “Tenham um machado por perto”, disse ele.

Mas um dia depois do terceiro aniversário do Katrina, muitos já haviam decidido abandonar a cidade, grande parte da qual jaz abaixo do nível do mar.

Milhares deixaram Nova Orleans no início do sábado. Esperando evitar o espetáculo de 2005, quando residentes desesperados lotaram o estádio New Orleans Superdome, o governo alinhou centenas de ônibus e trens para levar 30 mil pessoas incapazes de se locomover.

Cerca de dez mil pessoas deixaram a cidade de ônibus ou trem no sábado, informou Nagin. As outras 20 mil que solicitaram auxílio para a retirada devem deixar a cidade neste domingo, acrescentou ele.

Muitos dos que partiram receberam pulseiras com códigos de barra que permitirão às autoridades localizá-los.

O Gustav atingiu o território cubano no sábado e pode alcançar o Golfo do México como uma tempestade de categoria 4, a segunda maior na escala Saffir-Simpson, de cinco estágios, declarou o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos.

EXPECTATIVA DE ALAGAMENTOS

Na região de Lower Ninth Ward, submersa nos alagamentos do Katrina, centenas de residentes empacotaram seus pertences em carros e caminhões e partiram. Alguns haviam voltado para casa somente poucos meses depois de fugir do Katrina.

“Depois do Katrina, você tem que partir”, disse Ruby Hall, moradora de longa data, apontando o ponto da varanda até onde subiram as águas do Katrina. “Não vou arriscar, não com um neto”.

A margem oeste da cidade foi em grande parte poupada pelo Katrina, mas pode sofrer “alagamentos consideráveis” porque seus diques de três metros não são páreo para a investida do Gustav, que pode alcançar seis metros, disse Nagin.

A investida do furacão Katrina rompeu os diques de proteção no dia 29 de agosto de 2005 e alagou oitenta porcento da cidade. Nova Orleans mergulhou no caos enquanto vítimas ilhadas esperavam pelo resgate durante dias.

O furacão matou cerca de 1.500 pessoas ao longo do Golfo do México e causou danos de U$80 milhões, tornando-se o mais custoso desastre natural dos EUA.

No sábado o congestionamento era intenso nas estradas que deixam a cidade, e seis paróquias situadas em terras baixas emitiram ordens de evacuação.

Todas as principais rodovias da Louisina só iriam permitir o tráfego em mão única a partir das 4 da manhã deste domingo (horário local). O último vôo do aeroporto de Nova Orleans estava marcado para decolar às seis da manhã.

Ao todo, 11,5 milhões de pessoas estão na rota do Gustav, de acordo com o Escritório do Censo americano.

Walter Parker, um segurança que ficou preso durante oito dias em seu apartamento durante a inundação do Katrina, se juntou à fila no terminal de passageiros de uma rodoviária local, no qual famílias com crianças e pertences aguardavam transporte. “Não quero ver outro Katrina, com cadáveres boiando na água”, disse Parker.

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