28 de Setembro de 2008 / às 20:51 / 9 anos atrás

CONSOLIDA-Pacote de resgate de Wall Street caminha para votação

Por Richard Cowan e Patrick Rucker

WASHINGTON, 28 de setembro (Reuters) - Os legisladores norte-americanos se preparavam para votar na segunda-feira po pacote de resgate de Wall Street de 700 bilhões de dólares para comprar papéis podres e estancar a crise financeira, enquanto a Europa lutava neste domingo para salvar dois bancos em dificuldades.

Com os mercados globais acompanhando cada movimento em Washington, um senador republicano disse que o pacote pode ser votado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado na segunda-feira.

Líderes dos dois partidos no Congresso disseram ter alcançado um acordo provisório no domingo, mas abundam dúvidas sobre o plano de resgate do sistema financeiro americano --que usaria fundos dos contribuintes para comprar dívidas imobiliárias ruins-- ser capaz de restabelecer a confiança nos mercados e evitar uma queda mais aguda.

Pouco mais cedo, o presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, Barney Frank, disse que a Câmara votará o pacote na segunda-feira, mas fontes disseram que no Senado a votação não sairia antes de quarta-feira.

O Senado enfrenta problemas mais complexos para aprová-lo. Os líderes precisam determinar se algum senador está considerando obstáculos processuais para desacelerar o processo. Além disso, um feriado judaico irá parar os trabalhos na segunda-feira e eles serão retomados apenas na terça-feira.

Os republicanos no Congresso, que rejeitam o uso de uma soma tão vasta de dinheiro público, pareciam cautelosos sobre o acordo, fazendo com que os mercados iniciem a semana na incerteza sobre a forma final do maior plano de emergência da história dos EUA.

Em um sinal da expansão da crise financeira, o grupo financeiro belga-holandês Fortis se vê diante de uma aquisição ou de uma quebra enquanto o presidente do Banco Central Europeu Jean-Claude Trichet tem encontros de emergência com legisladores belgas e holandeses para tentar resolver o problema.

Em Londres, os reguladores se preparavam para nacionalizar a empresa de hipotecas Bradford & Bingley e discutiam a venda de suas filiais e depósitos de poupança, disseram fontes do setor bancário familiarizadas com o assunto.

APOIO QUALIFICADO

Líderes dos dois partidos no Congresso norte-americano surgiram no início deste domingo em Washington com um acordo temporário que altera partes-chave de um programa de socorro a Wall Street inicialmente proposto pelo Tesouro dos EUA.

Mas o restante dos legisladores não tinham visto a versão final do plano de resgate financeiro e os republicanos da Câmara alertaram que não assinariam o plano até ter certeza de que este redirecionaria alguns recursos para um novo modelo de seguro contra dívidas podres financiado por Wall Street.

Os dois candidatos presidenciais ofereceram apoio para a proposta de emergência, um assunto que ameaça encobrir suas campanhas a menos de seis semanas da eleição.

"Isto é algo que todos nós vamos ter que engolir a seco e aceitar", disse o republicano John McCain em entrevista à rede de teelvisão ABC. "A opção de não se fazer nada é simplesmente inaceitável."

O democrata Barack Obama disse que provavelmente apoiará o pacote. "Minha inclinação é apoiá-lo", disse ele no programa "Face the Nation" da CBS.

"Temos que lembrar como chegamos a isso. Não tanto para atribuir culpa, mas para entender as escolhas que o próximo presidente vai enfrentar."

O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, fez um lobby intenso pelo pacote dizendo que este impedirá que os mercados de crédito congelem sob o peso de dívidas lastreadas por hipotecas.

"Acho que chegamos lá", disse Paulson ao surgir junto dos líderes do Congresso no início de domingo para anunciar um avanço que produziu o esboço de uma legislação.

Em certo momento, os legisladores consultaram por telefone o bilionário investidor Warren Buffett, que na semana passada investiu 5 bilhões de dólares no Goldman Sachs e alertou que os mercados estão em uma "situação perigosa" e à beira do colapso.

REVOLTA POPULAR FERVILHA

Com muitos norte-americanos lutando para salvar seus lares da execucação de hipotecas, os legisladores lutam com a reação dos cidadãos comuns contra um plano de salvação para os bancos de Wall Street, que muitos culpam por criarem um mercado imobiliário superaquecido e uma crise de empréstimos arriscados.

Nas últimas horas das conversas, democratas e republicanos corriam para incluir salvaguardas para os contribuintes e provisões que permitiriam ao governo recuperar recursos se os preços imobiliários se restabelecerem e seus créditos ruins se valorizarem.

A legislação proposta desembolsaria os 700 bilhões de dólares em etapas. Os primeiros 250 bilhões de dólares seriam liberados quando a legislação for aprovada, enquanto outros 100 bilhões poderiam ser gastos se o presidente decidir ser necessário. Os restantes 350 bilhões estariam sujeitos a uma análise do Congresso.

Instituições que vendem ativos sob o plano emitiriam garantias de ações ao governo, um passo que pretende dar aos contribuintes uma chance de lucrar se os mercados se recuperarem.

O plano ainda permitiria ao governo comprar ativos sob risco de fundos de pensão, governos locais e pequenos bancos.

Em resposta ao clamor por limites aos pagamentos a executivos, nenhum executivo das empresas participantes poderia receber indenizações multimilionárias.

Um comitê de acompanhamento de altos funcionários, incluindo o chairman do Federal Reserve (banco central dos EUA), supervisionaria o programa, enquanto sua administração também ficaria sob o escrutínio de um braço investigativo do Congresso e um inspetor-geral independente.

O governo ainda poderia usar seu poder como proprietário de hipotecas e seguros lastreados por hipotecas para ajudar mais proprietários de casas em apuros a modificar os termos de seus empréstimos.

IMPACTO GLOBAL

Investidores internacionais estão preocupados com o potencial de efeito dominó de uma crise financeira que começou em Wall Street como resultado de um mercado imobiliário decadente nos EUA.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse em entrevista à CNN que A CRISE certamente terá impacto na China e no resto da Ásia. Wen disse esperar que o governo americano estabilize sua economia e suas finanças rapidamente.

Na Europa, fontes disseram que o governo belga teria decidido pela nacionalização do Fortis.

Os contornos do acordo de emergência anunciado no início deste domingo coroaram uma semana tumultuada, enquanto as notícias de Washington faziam o acordo parecer ora iminente ora inalcançável.

Reguladores norte-americanos americanos se apropriaram do Washington Mutual na quinta-feira na maior quebra de um banco da história dos EUA, vendendo seus ativos para a JPMorgan Chase. O Washington Mutual pediu falência no sábado com uma dívida de 8 billhões de dólares.

Enquanto isso, relatos afirmam que o Wachovia Corp, o sexto maior banco americano, iniciou conversas para uma fusão com parceiros potenciais depois de uma queda de 27 por cento em suas ações na sexta-feira.

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