18 de Maio de 2008 / às 17:25 / 9 anos atrás

Chefe da ONU vai a Mianmar tratar de ajuda a vítimas do ciclone

Por Aung Hla Tun

YANGON (Reuters) - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, vai visitar Mianmar nesta semana para discutir a problemática operação de ajuda às vítimas do ciclone, disse sua porta-voz no domingo, como um sinal de progresso na questão.

A porta-voz Michele Montas também afirmou esperar a realização de uma conferência em Bangcoc, em 24 de maio, para organizar fundos para a operação de apoio ao país. “Eu posso confirmar que ele (Ban Ki-Moon) vai a Mianmar nesta semana”, disse ela por telefone, acrescentando que ele deverá chegar ao país na quarta ou quinta-feira.

Mark Malloch-Brown, o negociador do governo britânico para assuntos asiáticos, falou sobre a aproximação de um momento decisivo para a aceleração da ajuda internacional para milhões de pessoas vitimadas pelos ciclone Nargis, que atingiu Mianmar no início do mês.

Than Shwe, o recluso líder da junta militar de Mianmar, apareceu em público no domingo pela primeira vez desde o início dos esforços de ajuda.

A televisão estatal de Mianmar mostrou Than Shwe em encontro com ministros em Yangon envolvidos nas operações de resgate e visitando áreas atingidas pelo ciclone.

John Holmes, secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários da ONU, chegou a Yangon no domingo à noite e deveria entregar a mensagem de Ban Ki-Moon aos generais.

Than Shwe se recusou a falar com Ban Ki-Moon pelo telefone desde que o país foi atingido pelo ciclone. Mas analistas especulam se a aparição em público em Yangon significaria que ele deverá se encontrar com Holmes ou possivelmente com Ban Ki-Moon.

Milhares de crianças podem morrer em semanas se alimentos não chegarem à região a tempo, afirmou no domingo a organização Save the Children.

O Programa Mundial de Alimentação (World Food Programme) afirmou que conseguiu entregar arroz e feijão para 212.000 das 750.000 pessoas em situação mais grave após o ciclone, que deixou pelo menos 134.000 mortos ou desaparecidos.

A relutância à entrada de estrangeiros para assistência pelos militares de Mianmar, que dominam o país nos últimos 46 anos, parece estar baseada no temor de perder o controle do poder.

Reportagem adicional de Patrick Worsnip, Nopporn Wong-Anan e Ed Cropley

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