7 de Agosto de 2008 / às 18:51 / em 9 anos

Vale mira alvos menores e crescimento orgânico

Por Reese Ewing

SÃO PAULO (Reuters) - A Vale, uma gigante do ramo da mineração, confia na manutenção de uma forte demanda apesar dos temores sobre a desaceleração da economia e pretende melhorar sua posição de mercado combinando aquisições de pequeno e médio porte com crescimento orgânico, afirmou na quinta-feira o presidente da empresa.

Depois de ter se frustrado, no começo deste ano, nas negociações para comprar a Xstrata, Roger Agnelli disse que sua equipe avaliaria a possibilidade de realizar outras aquisições, mas que a empresa agora se concentraria em alvos de menor porte.

“Continuo muito otimista sobre o setor em termos de médio e longo prazo. No entanto, não vamos realizar uma manobra simplesmente para ela ser grande”, afirmou Agnelli em uma teleconferência com investidores para falar sobre o faturamento trimestral da Vale.

“Queremos continuar ágeis para aproveitar as oportunidades que surgirem.”

Uma demanda robusta por metais, em especial da parte da China, colaborou com os resultados da companhia. [ID:nN06514538]

A Vale é a maior produtora de minério de ferro do mundo e tenta melhorar sua posição de mercado diversificando seu portifólio para outros metais.

Em 2006, a empresa adquiriu a mineradora canadense de níquel Inco, mas o minério de ferro continua a responder por quase 70 por cento de seu faturamento.

Os preços mundiais dos metais baixaram, e os contratos futuros para o níquel, que responde por 27 por cento do faturamento da Vale, estão sendo negociados a menos de metade de seu pico, registrado em abril.

Agnelli e outros executivos do setor minerador, no entanto, continuam apostando em uma demanda forte. Na quarta-feira, a Xstrata disse que pretendia oferecer 10 bilhões de dólares pela produtora sul-africana de platina Lonmin .

“Não estamos procurando nenhuma grande aquisição”, disse Agnelli. “Estamos procurando aquisições menores, de médio porte, aquisições capazes de melhorar nossa posição de mercado.”

A Vale disse no começo de julho que estava interessada em adquirir o grupo Paranapanema, que produz metais e fertilizantes.

CRESCIMENTO ORGÂNICO

Agnelli disse ainda que grande parte do plano de investimento será direcionado a fomentar o crescimento dos negócios já existentes da companhia.

A Vale recentemente assinou um contrato de 1,6 bilhão de dólares com a empresa chinesa Rongsheng Shipbuilding para a construção de 12 navios para levar seu minério de ferro à Ásia [ID:nN04456750].

“Nós estamos tentando desenvolver uma frota mais ampla para limitar os efeitos da volatilidade do mercado de frete sobre nossos negócios”, disse o diretor-executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins.

Ele afirmou que a Vale implementou um plano para melhorar a performance logística da companhia, que começa a dar resultados. A companhia agora espera exportar 350 milhões de toneladas de minério de ferro anualmente, contra os atuais 330 milhões.

“Isso caso não ocorram os problemas imprevistos que nós tivemos nos dois primeiros trimestres”, disse. “Julho foi um mês excelente --nós embarcamos 28 milhões de toneladas. Agosto está indo bem. Nós atualmente estamos operando acima da nossa meta.”

Ele afirmou que os estoques de minério de ferro da Vale cresceram em cerca de 20 milhões de toneladas por dificuldades com equipamentos portuários, chuvas e ocupações de sem-terra em sua ferrovia na mina de Carajás, no Pará.

“Nós esperamos compensar em entregas no terceiro trimestre as perdas que tivemos no primeiro e no segundo trimestre”, disse Martins.

Reportagem de Reese Ewing

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