7 de Dezembro de 2007 / às 13:24 / 10 anos atrás

Prédios "mais verdes" são opção fácil, mas desconhecida, diz ONU

Por David Fogarty

NUSA DUA, Indonésia (Reuters) - Medidas como construir casas e prédios de escritório mais “verdes” e instalar sistemas de iluminação que gastem energia de forma mais eficiente poderiam diminuir as emissões de carbono no mundo, afirmaram representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e do setor de construção civil na sexta-feira, durante a conferência do clima realizada em Bali.

Segundo esses representantes, já há tecnologias disponíveis para diminuir dramaticamente o consumo de energia mediante um custo pequeno.

No entanto, intriga o fato de governos, empresas e proprietários de imóveis não estarem investindo em projetos menos danosos ao meio ambiente.

“Cerca de 40 por cento de toda a energia é consumida nos edifícios e nas construções. Esse é um fato incrível que as pessoas não percebem”, afirmou Kaarin Taipale, da Força-Tarefa Marrakesh de Edifícios e Construções Sustentáveis.

O crucial seria instalar sistemas de iluminação, ventilação, aquecimento e resfriamento que consumissem menos energia, disse Sylvie Lemmet, diretora da Divisão de Tecnologia, Indústria e Tecnologia do Programa para o Meio Ambiente da ONU.

Na opinião de Lemmet, é possível cortar o consumo de energia usando materiais isolantes mais eficientes nas paredes, janelas, assoalhos e portas e mudando o comportamento das pessoas, convencendo-as, por exemplo, a desligar as luzes quando os funcionários deixam um escritório no final do dia.

“Todo o comprometimento de redução de emissões feito por meio do Protocolo de Kyoto pode ser realizado apenas no setor da construção civil. E os custos para obter essas reduções são baixos, muito baixos.”

Lemmet disse em uma entrevista coletiva realizada durante a conferência de Bali, da qual participam 190 países, que para tanto é necessária a utilização de tecnologia avançada.

A conferência tenta lançar negociações sobre um pacto capaz de ampliar ou substituir o Protocolo de Kyoto, acordo por meio do qual 36 países industrializados comprometeram-se com reduzir suas emissões de carbono entre 2008 e 2012.

“A gente espera ver todo mundo correndo para reduzir as emissões no setor da construção e nos prédios e que os governos incentivem o setor a perceber esse potencial.”

“Mas isso não está acontecendo. E na maior parte dos países nada está acontecendo.”

Por isso, disse Lemmet, há pouco conhecimento sobre materiais e pouca consciência da parte das empresas sobre os prédios sustentáveis e sobre as penalidades econômicas que se poderiam adotar.

Um alto executivo da Philips, uma gigante holandesa do setor de eletrônicos, afirmou em Bali que instalar sistemas de iluminação com baixo gasto de energia poderia significar consumir menos 1,5 bilhão de barris de petróleo por ano, montante de combustível equivalente ao utilizado por 530 termelétricas de médio porte.

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