26 de Outubro de 2007 / às 17:22 / em 10 anos

Cristina Kirchner, a um passo da Presidência da Argentina

(As leis argentinas proíbem a publicação e a divulgação de pesquisas e sondagens eleitorais 48 horas antes do início da votação e até o fim do sufrágio. Esta informação não pode ser publicada na Argentina)

Por César Illiano

BUENOS AIRES, 26 de outubro (Reuters) - Os argentinos darão a conclusão formal no domingo a um processo eleitoral que já parece há muito definido, e que deve transformar Cristina Fernández de Kirchner na primeira mulher eleita presidente da história do país.

Depois de uma campanha sem grandes emoções, diante da esmagadora vantagem que as pesquisas dão à primeira-dama, os eleitores colocarão no comando do país uma das principais assessoras políticas do atual presidente, o marido dela, Néstor Kirchner.

Como Kirchner gosta de dizer, seu governo começou com a Argentina afundada num inferno, com mais de 50 por cento da população na pobreza, milhares de pessoas catando comida no lixo nas ruas de Buenos Aires e o país sob moratória, com um sistema financeiro à beira do colapso.

Mas a forte retomada no consumo, na produção industrial e nas exportações agrícolas, depois da megadesvalorização da moeda, conseguiu reduzir o desemprego e a pobreza à metade, e o país embarcou numa bonança política que já dura quatro anos.

“Espero que ela continue fazendo a mesma coisa que ele”, disse Rodrigo Rojas, um comerciante de 37 anos. “O país está de pé de novo graças a ele.”

Espera-se que Cristina -- é assim que os argentinos se referem a ela -- mantenha a base econômica: o peso desvalorizado para incentivar as exportações, altos subsídios para manter o crescimento do consumo interno e uma disciplina fiscal ainda mais férrea que a de Kirchner.

A expectativa também é de relações mais amenas com a comunidade internacional, embora a candidata já tenha adiantado que manterá a ligação estreita com o polêmico líder venezuelano Hugo Chávez.

Nenhum analista acredita em mudanças estruturais nas políticas de governo, já que Cristina participou das decisões políticas do marido. Muita gente acredita que o casal vai se revezar no poder até 2011.

De uma série de dez pesquisas publicadas na sexta-feira pelos jornais Clarín e La Nación, nove dizem que a primeira-dama ganhará já no primeiro turno com entre 41,7 e 49,4 por cento dos votos, cerca de 25 pontos percentuais à frente da centro-esquerdista Elisa Carrió.

A legislação argentina estabelece que não haverá segundo turno se um candidato conquistar pelo menos 45 por cento dos votos, ou se ficar com entre 40 e 45 por cento dos votos e houver uma diferença de mais de dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado.

Cristina manteve-se em silêncio com a imprensa durante toda a campanha -- o que garantiu bastante espaço à oposição --, mas nos últimos dois dias deu uma enxurrada de entrevistas.

A oposição atacou sem dó o governo em suas áreas mais frágeis, como a inflação, a criminalidade, os gastos públicos, as restrições no setor de energia e os casos de corrupção. Mas o escudo do governo conseguiu protegê-la dos ataques.

A falta de um debate mais profundo sobre políticas estruturais na campanha desviou a atenção dos argentinos para temas mais superficiais, como a vaidade de Cristina, 54 anos.

As declarações da primeira-dama, negando ter feito cirurgias plásticas e explicando que acha que já nasceu de maquiagem, dominaram as conversas dos argentinos às vésperas da eleição.

A apatia da população frente ao processo eleitoral foi explicada por analistas como reflexo da liderança fácil de Cristina nas pesquisas.

Reportagem adicional de Kevin Gray

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below