14 de Agosto de 2008 / às 23:41 / em 9 anos

EUA pressionam Rússia por livre acesso portuário à Geórgia

Por Margarita Antidze

TBILISI (Reuters) - Os Estados Unidos vão pressionar urgentemente a Rússia para que garanta a livre navegação e o acesso aos portos da Geórgia, disse na quarta-feira o principal representante do Departamento de Estado para a região, Matthew Bryza.

Ele disse também que a Rússia não deve mais participar de missões de paz no Cáucaso, pois se aliou aos separatistas da Geórgia, aonde a secretária de Estado Condoleezza Rice chega na sexta-feira para reiterar o apoio norte-americano.

Bryza afirmou que a prioridade dela será promover medidas por um cessar-fogo viável, a restauração da segurança, a reabertura dos portos e o auxílio às pessoas desabrigadas pelo conflito.

A Rússia ocupou parte da Geórgia, inclusive a cidade portuária de Poti (mar Negro), como reação à tentativa georgiana de recuperar o controle da região separatista da Ossétia do Sul, que desde o começo da década de 1990 goza de autonomia sob a proteção de Moscou.

“Precisamos garantir que a infra-estrutura georgiana de transporte permaneça aberta, não se restrinja a barcos russos no mar Negro ou blindados russos no porto de Poti, ou perto de Gori [outra cidade da Geórgia ocupada pela Rússia]”, disse Bryza.

“É simplesmente bizarro que forças navais estejam bloqueando um país soberano e independente. Simplesmente não consigo imaginar quem em sã consciência pode achar isso aceitável ou razoável”.

A cúpula militar russa disse que é legítima a presença de “forças de paz” russas em Poti e Gori, já que a mediação francesa estabelece que as forças de Moscou poderiam “implementar medidas adicionais de segurança” enquanto esperam a chegada de monitores internacionais.

A União Européia decidiu na quarta-feira enviar monitores para supervisionar a trégua em vigor, mas muitos duvidam que a Rússia abandone facilmente a região, pois ambas as repúblicas separatistas estão firmemente sob seu controle.

Moscou nega que esteja impedindo embarques petrolíferos, mas a estatal de petróleo do Azerbaijão acusou embarcações militares russas de proibirem um navio-tanque com produtos azeris de zarpar de Poti na quarta-feira.

Não há relatos de bloqueio naval em Batumi (sul), principal terminal georgiano de petróleo.

A britânica BP teve de reduzir sua produção no Azerbaijão porque uma subsidiária sua interrompeu o trânsito de combustíveis pela Geórgia, alegando questões de segurança. Fontes do setor estimam que até 1 milhão de barris por dia estejam deixando de chegar aos seus destinos.

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