23 de Novembro de 2007 / às 13:31 / em 10 anos

Libaneses olham com frustração e medo para atual crise no país

Por Jonathan Wright

BEIRUTE (Reuters) - Os libaneses olhavam para seus políticos na sexta-feira com um sentimento que misturava frustração, em vista do impasse para escolher um novo presidente, e preocupação, em vista da possibilidade de os cidadãos comuns pagarem o preço caso o conflito torne-se violento.

Enquanto os relógios caminhavam rumo à meia-noite, momento no qual expira o mandato do atual ocupante do cargo, Emile Lahoud, muitos dos libaneses afirmaram desejar uma solução rápida para o impasse, mas observaram que, pensando de forma realista, o mais provável seria a instalação de um vácuo constitucional, ao menos no curto prazo.

Na sexta-feira, os políticos não conseguiram encontrar um candidato à Presidência ao mesmo tempo aceitável para o bloco majoritário no Parlamento e para a oposição liderada pelo grupo xiita Hezbollah.

O Parlamento tentará, mais uma vez, eleger um presidente na próxima sexta-feira.

A desavença reflete a luta pelo controle do Líbano travada entre a Síria e o Irã de um lado e os EUA, que contam com a simpatia da Arábia Saudita e da Europa, de outro.

“Estamos preocupados com a possibilidade de a crise gerar um vácuo de poder e eventualmente o esfacelamento do país. Infelizmente, a solução está nas mãos dos membros da comunidade internacional, especialmente dos norte-americanos”, afirmou Ali Daaibis, funcionário de uma loja de ferragens.

“A crise significa uma má notícia”, acrescentou Ali Mobiya, um comerciante de tapetes com cerca de 30 anos de idade. “Os membros do Parlamento deveriam reunir-se e eleger um presidente.”

A decisão de adiar a votação deixa o Líbano sem um chefe de Estado a partir da meia-noite. A fim de evitar problemas, o Exército estacionou soldados ao redor do Parlamento, fechando a maior parte das ruas que levam ao prédio e revistando pedestres na área.

“UM BANDO DE SAFADOS”

Dos cerca de 20 civis entrevistados pela Reuters, muitos disseram-se cansados com a política e os políticos, acrescentando desejar apenas seguir adiante com suas vidas em paz, segurança e prosperidade.

“Não queremos uma guerra civil. Queremos que a economia prospere. Os políticos são todos ladrões e deveriam afastar-se”, afirmou Said al-Homsi, que trabalha em uma floricultura da região central de Beirute.

“Isso é um bando de safados, que pensa apenas nos interesses próprios e não dá atenção ao povo”, disse Daaibis.

“Quero que eles coloquem um ponto final nessa questão”, afirmou uma mulher cujo nome de família seria Hazimeh. “O país precisa respirar e relaxar, como qualquer outro país. Não nos sentimos seguros. Todos estão tensos e apreensivos. Estamos paralisados.”

Nos últimos três anos, o Líbano testemunhou a ocorrência de cerca de 30 ataques realizados por motivos políticos e nos quais morreram dezenas de pessoas, entre as quais oito políticos e jornalistas anti-Síria.

“Estamos vendo um conflito entre dois projetos diferentes para o Líbano -- o projeto norte-americano e o projeto nacionalista. Infelizmente, se isso provocar uma onda de violência, caberá ao povo pagar o preço”, disse um barbeiro que afirmou chamar-se Hamada.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below