29 de Janeiro de 2008 / às 21:38 / em 10 anos

Kerviel diz que SocGen deveria ter notado suas operações

Por Crispian Balmer

PARIS (Reuters) - O pivô do escândalo financeiro envolvendo o banco francês Societé Générale disse que suas atividades não poderiam ter passado despercebidas pela direção.

O operador Jérôme Kerviel, que passou o fim de semana sendo interrogado pela polícia, é acusado pelo SocGen de ter criado posições ilícitas que na semana passada lhes custaram 4,9 bilhões de euros.

Vários veículos da imprensa francesa publicaram trechos do depoimento, que foram confirmados à Reuters por uma fonte judicial.

Kerviel disse à polícia que na melhor das hipóteses houve uma falha sistemática dos controles informáticos e administrativos. Um advogado do banco francês questionou a versão do operador.

“O sr. Kerviel acusou um certo número de pessoas, mas também reconhece ter assumido posições enquanto apagava seus rastros, e de uma forma totalmente contra as regras”, disse Jean Viel à rádio RTL.

Kerviel teria dito à polícia que começou a ocultar suas transações em 2005, e que no final do ano passado já acumulava 1,4 bilhão de euros em lucros. Para não chamar a atenção para a quantia, ele a disfarçava com supostos prejuízos em falsas operações.

“Não consigo acreditar que meus superiores não perceberam o dinheiro que eu estava comprometendo [com as transações ilícitas]. Era impossível gerar tais lucros com posições pequenas”, disse Kerviel, segundo as transcrições.

Como operador júnior, havia limites para as posições que ele podia assumir, mas a SocGen diz que ele sabia burlar esses controles graças aos cinco anos que passou em outras áreas do banco.

O presidente do Banco Central francês, Christian Noyer, o chamou de “gênio da fraude” e “gênio da informática,” mas Kerviel é mais modesto.

“As técnicas que eu usei não eram nada sofisticadas. Qualquer sistema corretamente instalado é capaz de detectar essas operações. Não houve nenhuma esperteza maquiavélica da minha parte”, disse ele, acrescentando que só pretendia gerar lucros para o banco.

Kerviel descreveu um sistema que servia de “colchão” para esconder as transações -- inclusive o lucro de 1,4 bilhão de euros no final de 2007.

“Ninguém jamais obteve esse tipo de lucro antes”, afirmou, explicando porque maquiou as cifras para parecer que havia lucrado “apenas” 55 milhões de euros.

Segundo ele, seus gerentes lhe ofereceram um bônus de 300 mil euros em 2007, mas ele pediu o dobro. À polícia, alegou que no ano passado só tirou quatro dias de folga e que seus chefes toleraram isso.

“O simples fato de eu não ter tirado férias em 2007 deveria ter alertado meus gerentes. É uma das primeiras regras dos controles internos. Um operador que não sai de férias é um operador que não quer deixar seu livro com terceiros”, declarou, de acordo com as transcrições.

O diretor de investimentos do SocGen, Jean-Pierre Mustier, disse no domingo a jornalistas que o banco pediu que Kerviel tirasse férias antes do fim do ano, mas que ele pediu um adiamento por razões pessoais, aceitas pelos chefes.

Na semana passada, o SocGen demitiu os chefes diretos de Kerviel.

Reportagem adicional de Thierry Leveque

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