16 de Outubro de 2008 / às 14:43 / em 9 anos

Crise ampliará desigualdade na distribuição de renda, diz OIT

Por Jonathan Lynn

GENEBRA, 16 de outubro (Reuters) - A crise financeira ampliará ainda mais as desigualdades de distribuição de renda que aumentaram excessivamente no período de crescimento econômico, afirmou na quinta-feira a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Um relatório da OIT mostra que, na maior parte dos países, nos últimos anos, a renda dos mais ricos aumentou quando comparada com os integrantes da classe média e da classe baixa. Ao mesmo tempo, a fatia da economia representada pelos salários diminuiu.

Além disso, a redução dos salários atingiu os trabalhadores de forma desigual, afirmou o relatório da OIT, uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne governos, empregadores e empregados com o objetivo de promover salários justos.

Nos EUA, o dinheiro recebido pelos altos executivos das 15 maiores empresas norte-americanas aumentou 520 vezes, em média, em 2007, contra 360 vezes em 2003, por exemplo. Padrões semelhantes surgiram em outros países, da Austrália à África do Sul.

“A principal descoberta do relatório é de que as desigualdades na distribuição de renda aumentaram excessivamente e devem crescer ainda mais como resultado da crise financeira”, afirmou em uma entrevista coletiva Raymond Torres, diretor do instituto da OIT responsável pelo relatório.

No curto prazo, a crise diminuirá a desigualdade na distribuição de renda ao derrubar o valor das ações e reduzir ou eliminar os bônus e mesmo vagas de trabalho no setor financeiro.

No longo prazo, porém, a experiência mostra que o impacto econômico de uma crise financeira atingirá os grupos vulneráveis de forma desigual porque os que possuem empregos qualificados encontram trabalho mais facilmente, ao passo que os países pobres correm o risco de ver a ajuda ao desenvolvimento ser cortada, afirmou Torres.

Segundo Torres, medir a desigualdade na distribuição de renda é algo útil e pode estimular o crescimento econômico ao premiar os esforços para prover trabalho, inovar as condições do mercado empregatício e formar trabalhadores, fatores esses que são fonte de prosperidade.

No entanto, uma desigualdade muito marcada enfraquece o motor do crescimento econômico --a demanda interna-- bem como mina a sociedade ao alimentar a instabilidade e a criminalidade, disse.

“O apoio político para medidas de incentivo ao crescimento como o comércio e o investimento externo direto que é importante para o crescimento econômico pode enfraquecer-se se a classe média e os grupos de baixa renda acreditarem que não estão obtendo os benefícios do crescimento produzido por essas mesmas medidas”, acrescentou Torres.

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