13 de Agosto de 2008 / às 23:34 / 9 anos atrás

Geórgia acusa Rússia de violar cessar-fogo

Por Margarita Antidze e Matt Robinson

TBILISI (Reuters) - A Geórgia acusou na quarta-feira a Rússia de violar a trégua no conflito em torno da Ossétia do Sul. Moscou nega os ataques, mas o caos vigora ao redor de uma indefesa cidade georgiana a oeste da capital, Tbilisi.

O governo pró-ocidental da Geórgia recebeu novas manifestações de apoio por parte do presidente dos EUA, George W. Bush, que prometeu ajuda humanitária em aviões militares.

Ele e a secretária de Estado Condoleezza Rice, que se prepara para ir a Tbilisi, alertaram a Rússia a respeitar os termos da trégua mediada na véspera pela França.

Moscou anunciou na terça-feira a suspensão da operação militar iniciada depois que a Geórgia enviou tropas para tentar recuperar o controle da Ossétia do Sul, uma república separatista que desde o início da década de 1990 goza de autonomia sob a proteção russa.

“A Rússia precisa manter sua palavra e agir para encerrar a crise”, disse Bush, enquanto Rice alertou que eventuais violações da trégua “só servirão para aprofundar o isolamento para o qual a Rússia está se movendo”.

O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, disse que apesar da trégua as forças russas continuaram avançando em seu país e saquearam a cidade de Gori, 60 quilômetros a leste de Tbilisi.

A Rússia nega as acusações. Em conversa com Rice, o chanceler Sergei Lavrov disse que as forças russas agirão com dureza para evitar saques cometidos por milícias irregulares.

“Eu disse desde o princípio que, se tais fatos se provarem verdade, vamos reagir da forma mais séria. A população pacífica deve ser protegida. Estamos investigando todos esses relatos e não vamos tolerar tais ações”, afirmou ele.

A França disse que o presidente Nicolas Sarkozy, mediador da trégua, manifestou sua preocupação com o cumprimento do cessar-fogo e “recebeu garantias do presidente [Dmitry] Medvedev de que a Rússia mantém seus compromissos”.

Testemunhas viram tanques e blindados russos saindo de Gori pela estrada que leva à capital. A cúpula militar russa disse que o objetivo era destruir um paiol abandonado de munições, mas que não havia intenção de avançar sobre a capital.

Fotógrafos ao sul de Gori viram tropas irregulares em veículos blindados entre o tráfego. A maioria não usava identificação, embora um soldado portasse a bandeira sul-ossétia no braço.

A ONG norte-americana Human Rights Watch, que tem funcionários na Geórgia, disse ter testemunhado saques em aldeias etnicamente georgianas da Ossétia do Sul. “Eles levavam itens domésticos, carregavam aquecedores elétricos, bicicletas, tapetes”, relatou à Reuters Anna Neistat, falando por telefone de Tskhinvali, a capital da região separatista.

Reportagem adicional de Sue Pleming em Washington; Paul Taylor em Bruxelas; Dmitry Solovyov em Vladikavkaz; James Kilner em Tbilisi, e Oleg Shchedrov em Moscou

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