3 de Dezembro de 2007 / às 19:54 / 10 anos atrás

ANÁLISE-Derrota de Chávez frearia reeleições na América Latina

<p>A vit&oacute;ria do 'n&atilde;o' no referendo venezuelano sobre a reforma constitucional que estabeleceria a possibilidade de reelei&ccedil;&atilde;o ilimitada do presidente Hugo Ch&aacute;vez pode servir para conter o &iacute;mpeto de prorrogar sua perman&ecirc;ncia no poder. Foto em Caracas, 3 de dezembro. Photo by Francesco Spotorno</p>

Por Guido Nejamkis

BRASÍLIA (Reuters) - A vitória do “não” no referendo venezuelano sobre a reforma constitucional que estabeleceria a possibilidade de reeleição ilimitada do presidente Hugo Chávez pode servir para conter em alguns governantes ou partidos latino-americanos o ímpeto de prorrogar sua permanência no poder.

Segundo analistas, o histórico revés de Chávez no referendo de domingo pode sepultar os projetos “reeleitorais” que afloram aberta ou veladamente na Colômbia, no Equador, na Bolívia e, mais timidamente, no Brasil.

“A derrota de Chávez tem um impacto muito importante sobre o resto da América Latina, no sentido de criar uma barreira para tentativas de ampliar reeleições no continente”, disse Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.

“O triunfo do ‘não’ coloca um limite aos apetites ‘reeleicionistas’ na Colômbia, na Bolívia e em setores do Partido dos Trabalhadores no Brasil. Tende a evitar que se expandam propostas por mais reeleições”, acrescentou.

O resultado de domingo foi a primeira derrota eleitoral da carreira de Chávez, ainda que por estreita margem. Além de permitir reeleições ilimitadas, a reforma também daria ao presidente o poder de restringir o direito à informação em momentos de emergência, entre outras propostas.

Segundo Viola, alguns setores na Colômbia e no Brasil “especulam” com a possibilidade de reformas constitucionais para permitir um terceiro mandato dos presidentes Álvaro Uribe e Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula nega reiteradamente sua intenção de voltar a se candidatar em 2010, hipótese que chama de “insensata”.

Já Uribe, também muito popular entre o eleitorado, admitiu recentemente a possibilidade de buscar mais um mandato.

“É claro, o resultado do referendo debilita a posição dos que queriam subir na onda de Chávez, como (o equatoriano Rafael) Correa, (o boliviano Evo) Morales e o PT,” disse o ex-embaixador brasileiro em Washington Rubens Barbosa, que atualmente dirige uma consultoria em São Paulo.

Para Riordan Roett, diretor do programa de estudos da América Latina na Universidade John Hopkins, em Washington, “infelizmente as mudanças constitucionais para disputar outra reeleição são parte da patologia da região”.

“Será que um dia a região terá ex-presidentes?”, questionou recentemente em coluna na Folha de S.Paulo o jornalista Fabiano Maisonnave, que considera que a intenção “reeleitoral” de Morales está no centro dos conflitos da Constituinte boliviana e que “em breve” Correa manifestará a mesma intenção.

Para os analistas, a derrota de Chávez no referendo favorecerá a demorada aprovação da adesão da Venezuela ao Mercosul, que ainda depende de sanção parlamentar no Paraguai e Brasil, onde alguns parlamentares duvidam das credenciais democráticas do presidente venezuelano.

“Do ponto de vista externo, a derrota legitima Chávez”, disse o consultor político Carlos Pio, professor da UnB, para quem, apesar do revés, o líder venezuelano continuará procurando aumentar sua influência regional.

Colaborou Adriana García em Washington

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