22 de Novembro de 2007 / às 19:16 / em 10 anos

Potências da UE ainda desconfiam do Irã e querem mais sanções

Por Mark Heinrich e Karin Strohecker

VIENA (Reuters) - Os Estados Unidos e três importantes aliados europeus do país disseram na quinta-feira que as atividades nucleares do Irã ainda não são dignas de confiança e que a Organização das Nações Unidas deveria considerar sanções mais duras ao país.

“Uma abordagem de esperar para ver não é uma opção”, disseram Grã-Bretanha, França e Alemanha aos diretores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU).

Antes, o presidente da AIEA, Mohamed El Baradei, disse que o Irã parece caminhar no sentido de esclarecer as dúvidas sobre seu histórico nuclear até o fim do ano. Por outro lado, reiterou que o conhecimento sobre as atuais atividades do país está afetado pelas restrições impostas pelo Irã aos inspetores nucleares internacionais, e que o Irã está ampliando o enriquecimento de urânio apesar dos apelos da ONU para pará-lo.

O trio europeu disse que ambas as coisas são “inaceitáveis” e que “o presente e o futuro” do programa nuclear iraniano lhes interessa tanto ou mais que o passado. O Ocidente suspeita que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares, enquanto a República Islâmica diz que o programa nuclear se destina exclusivamente à geração de eletricidade para fins civis.

“Reconhecemos que o Irã deu alguns passos na direção correta, mas estamos frustrados pela cooperação ser de natureza parcial e reativa”, disseram os três. “Assim, no fim das contas, os resultados não são encorajadores. Portanto, devemos tirar conclusões no Conselho de Segurança (da ONU).”

A frase indica sanções mais duras, já discutidas com Estados Unidos, Rússia e China. A nota não cita prazos.

O negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili, anunciou nesta semana que vai se reunir no dia 30 com o chefe da política externa européia, Javier Solana. Caso Solana conclua que o Irã mantém sua recusa em suspender a produção de combustível nuclear, pode haver imposição de sanções.

Washington alinhou-se com essa posição. Embora tenha elogiado as incursões da AIEA contra o sigilo iraniano, o enviado dos EUA, Gregory Schulte, disse que pouca coisa deve ser descoberta em breve.

“A consistente política iraniana de cooperação seletiva e táticas dilatórias sugerem que o Irã pretende apenas distrair o mundo”, afirmou.

Rússia e China devem ver o relatório da AIEA sob um prisma mais positivo, disseram diplomatas. Ambos os países, com direito a veto no Conselho de Segurança, até agora se opõem a novas sanções.

El Baradei apresentou um resumo do relatório da AIEA aos 35 países da direção da agência num discurso cuidadosamente equilibrado entre as preocupações do Ocidente e a tese de que é preciso ter paciência para que a cooperação Irã-AIEA dê frutos.

Reportagem adicional de Francois Murphy em Paris

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