9 de Dezembro de 2007 / às 19:36 / 10 anos atrás

Países sul-americanos lançam banco regional independente

Por Lucas Bergman

BUENOS AIRES (Reuters) - Sete países da América do Sul pretendem fundar neste domingo um banco de desenvolvimento regional para demonstrar sua independência de práticas multilaterais de empréstimo, que, segundo alguns analistas, foram responsáveis por crises econômicas no passado.

Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela serão os membros fundadores do Banco do Sul, uma iniciativa do presidente venezuelano Hugo Chávez. Todos os países do grupo, com exceção do Paraguai, são liderados por presidentes de esquerda.

Há poucos detalhes no documento de fundação do banco, que será assinado na noite deste domingo em Buenos Aires pelos líderes que estão na cidade para a posse da nova presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

Os países estabelecerão as operações específicas do banco ao longo dos próximos dois meses.

O banco será fundado com 7 bilhões de dólares, com a maior parte desse capital vindo do Brasil e da Venezuela, com a Argentina contribuindo com 800 milhões de dólares, de acordo com a mídia local.

Uma fonte do Ministério da Economia da Argentina disse que os países inicialmente financiarão o banco com 10 por cento do total prometido.

A mídia local diz que ainda não havia sido decidido se cada país membro terá um voto na organização ou votos proporcionais aos fundos contribuídos.

“O Banco do Sul parece ser um dos projetos mais interessantes da região, em termos de gerar um autêntico desenvolvimento financeiro latino-americano”, disse o pesquisador Roberto Mallen, do Conselho de Assuntos Hemisféricos, uma entidade de estudos em Washington, nos Estados Unidos.

Ele disse que a estrutura do banco não permitirá que Chávez domine a instituição, mesmo que sua sede seja em Caracas.

HESITAÇÕES E DESISTÊNCIAS

O Brasil, potência econômica regional que concederá metade do capital do banco, hesitou inicialmente em participar, mas acabou cedendo, com a condição que a instituição funcione como um credor semelhante ao Banco Mundial, afastando-se do modelo de financiador a países em crises econômicas, caso do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nestor Kirchner vai assinar o acordo como seu último ato como presidente, um dia antes de sua mulher, Cristina Kirchner, assumir a Presidência, depois de ganhar as eleições de outubro.

Países que têm relações mais precárias com Chávez --um líder anti-americano que vem usando a riqueza de petróleo da Venezuela para aumentar sua influência na região-- ainda não se uniram ao banco.

O Chile, um modelo econômico para a região, e o Peru, cujo presidente Alan Garcia teve disputas com Chávez no passado, não participam da instituição, mas serão convidados.

A Colômbia deveria associar-se à iniciativa, mas recentemente abandonou-a, depois que o presidente Alvaro Uribe desentendeu-se com Chávez por causa do papel do presidente venezuelano na mediação de uma troca de reféns do governo colombiano com grupos guerrilheiros das Farc.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below