24 de Junho de 2008 / às 12:49 / 9 anos atrás

Aumenta pressão para que Zimbábue adie eleições presidenciais

Por Cris Chinaka

HARARE, 24 de junho (Reuters) - Aumentavam na terça-feira, dentro da África, as pressões para que o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, adiasse as eleições marcadas para o dia 27 de junho depois de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) ter adotado, pela primeira vez, um texto condenando a prática no país de atos violentos contra opositores.

Tanto o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, quanto Jacob Zuma, líder do partido Congresso Nacional Africano (CNA, que controla a África do Sul atualmente), disseram que o segundo turno das eleições presidenciais deveria ser suspenso depois de Morgan Tsvangirai, candidato da oposição, ter se retirado da disputa e buscado abrigo na Embaixada da Holanda em Harare.

Em um comunicado, Wade afirmou que Tsvangirai tinha procurado abrigo depois de receber informações sobre a chegada iminente de soldados a sua casa. “Ele só está em segurança porque, alertado por amigos, saiu correndo dali alguns minutos antes”, afirmou Wade.

Zuma, um adversário do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, defendeu a intervenção urgente da ONU e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), afirmando que a situação no Zimbábue encontra-se fora de controle.

“Para o CNA, o segundo turno não representa mais uma solução. Os senhores precisam antes selar um acordo político para então realizar eleições”, disse Zuma.

Os 15 países que integram o Conselho de Segurança repetiram a preocupação cada vez maior da comunidade internacional com a instabilidade política e a crise econômica no Zimbábue, problemas atribuídos pela oposição e pelo Ocidente a Mugabe, 84, no poder há 28 anos.

A África do Sul, a China e a Rússia, que haviam antes impedido que o órgão adotasse qualquer medida a respeito do Zimbábue, aceitaram o texto condenando de forma unânime o derramamento de sangue naquele país.

Tsvangirai não pediu asilo, mas passou uma segunda noite na embaixada holandesa, na segunda-feira. No dia seguinte, o oposicionista afirmou à Rádio 1, da Holanda, estar no local em caráter temporário e que o governo havia dado garantias ao embaixador da Holanda sobre a segurança dele.

O ex-candidato à Presidência afirmou que sairia do local dentro de alguns dias e que Mugabe não poderia mais desafiar a opinião pública internacional.

Os chanceleres dos países-membros da SADC discutiram a crise em um encontro realizado na segunda-feira, em Luanda (capital de Angola).

A agência angolana de notícias Angop disse que, segundo o secretário-executivo da SADC, Tomaz Salomão, a comunidade havia concordado com Tsvangirai sobre existir um “clima de extrema violência” no Zimbábue e sobre o governo precisar proteger seus cidadãos.

Em um texto que não tem poder de lei, o Conselho de Segurança condenou a “campanha de violência contra a oposição política, o que resultou no assassinato de vários ativistas da oposição e de outros zimbabuanos, além do espancamento de milhares de pessoas, entre as quais mulheres e crianças, e a expulsão delas de suas casas.”

Reportagem adicional de Marius Bosch, Muchena Zigomo, Paul Simao e Stella Mapenzauswa em Johanesburgo

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