25 de Outubro de 2008 / às 11:32 / 9 anos atrás

Clima de cordialidade deixa debate ameno em Belo Horizonte

BELO HORIZONTE, 25 de outubro (Reuters) - Depois de duas semanas de constantes ataques e de um início de debate quente, que prometia no mínimo novas alfinetadas entre os candidatos à prefeitura de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB) e Leonardo Quintão (PMDB) baixaram a guarda e protagonizaram uma discussão morna na noite de sexta-feira.

Durante todo o debate promovido pela TV Globo, nenhum dos dois pediu direito de resposta, o que contrasta com os demais eventos do gênero realizados pelas outras emissoras da cidade no segundo turno, marcados por constantes pedidos de defesa de ambas as partes diante do que consideraram ofensas pessoais.

"Eu vim para cá preparado para tudo, mas realmente não gostaríamos de ter um clima pesado aqui", disse Lacerda, em entrevista após o debate. "Houve uma intervenção no sentido de que os ânimos se acalmassem. É o meu estilo. Acho que a gente só deve brigar em último caso. Essa campanha teve aspectos muito tenebrosos, que agridem a tradição mineira de cordialidade", completou o candidato, em referência à organização do evento.

O primeiro bloco transcorreu todo em clima de visível tensão entre os candidatos. Logo na terceira pergunta, por exemplo, Lacerda pediu que o adversário explicasse denúncia publicada por jornal local, além do crescimento de seu patrimônio nos dois primeiros anos de mandato como deputado federal. "O adversário é que deveria explicar o patrimônio. É candidato mais rico do país, mais rico que o Maluf", devolveu Quintão, referindo-se ao patrimônio de 55 milhões de reais declarado por Lacerda.

"É normal nesse período final de campanha que essas coisas aconteçam. Depois da eleição, tudo volta ao normal", afirmou Quintão, também em entrevista depois do debate. "Não há nenhuma reclamação da Receita Federal a meu respeito", salientou.

A questão da disponibilidade de recursos também foi usada pelo peemedebista, que ressaltou o alto gasto do adversário durante a campanha em suas considerações finais. "Eu não tenho o apoio dos dois palácios", afirmou, referindo-se ao governador Aécio Neves (PSDB) e ao prefeito Fernando Pimentel (PT), que se aliaram em torno de Lacerda.

Quintão salientou ainda que Lacerda teve uma "campanha milionária, que acabou de pedir mais recurso". O peemedebista se referia ao pedido, aprovado pela Justiça Eleitoral mineira, de aumento em 5 milhões de reais na campanha de Lacerda. O pessebista preferiu não responder e, como fez durante parte do debate, frisou sua experiência administrativa e sua trajetória. "Toda minha vida foi dedicada ao trabalho", disse.

No restante do tempo, um clima de cordialidade imperou no evento e a discussão girou em torno de detalhes dos planos de governo e a forma de implementar os projetos --vários deles bem semelhantes. Isso não só nos momentos em que o tema era selecionado pela organização do evento, mas também quando o assunto era de livre escolha dos candidatos.

LULA

Apesar da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não participar diretamente de campanhas onde houvesse disputa entre candidatos de partidos da base aliada do governo, a candidatura de Marcio Lacerda usou gravação com depoimento do presidente em uma das inserções na noite de sexta-feira.

O coordenador-geral da campanha pessebista, o deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG) confirmou o acordo. "Nós concordamos com isso para não haver nenhum tipo de conflito com a base. Mas todos sabem que ele (Lula) aprovou e deu sinal verde para que houvesse essa aliança e a escolha do Marcio Lacerda. Portanto, a apresentação, tal como foi feita, corresponde à realidade."

O deputado, no entanto, assume que a gravação não foi feita exclusivamente para a campanha de BH. "A apresentação do presidente Lula é uma gravação que ele já tinha feito, que é disponível aos candidatos da base. Apresentamos no último dia para evitar polêmicas", disse. "Essa inserção eu tenho também. Ela foi gravada para o país inteiro", rebateu Quintão, que negou qualquer intenção de retaliação do PMDB ao governo devido ao uso do material em BH.

Reportagem de Marcelo Portela

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