29 de Novembro de 2007 / às 22:57 / 10 anos atrás

Antes de referendo, Chávez acirra ânimos e se diz alvo de complô

Por Brian Ellsworth

CARACAS (Reuters) - Às vésperas do referendo constitucional de domingo, que pode ampliar seus poderes, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, diz ser alvo de planos homicidas e acirra suas batalhas diplomáticas na esperança de inflamar seus seguidores e obter a vitória.

É a primeira vez que Chávez disputa o voto popular sem ter uma clara vantagem nas pesquisas, e ela tenta desviar a atenção de algumas medidas impopulares do pacote de reformas.

“Um voto contra a reforma é um voto contra Chávez”, diz ele sobre as 69 emendas --inclusive as que lhe permitem disputar a reeleição indefinidamente, controlar as reservas monetárias internacionais do país e censurar a imprensa “em caso de emergência”.

Na quarta-feira, Chávez rompeu relações com o governo da Colômbia e acusou a CNN de fazer campanha disfarçadamente por seu assassinato. No mesmo dia, seu chanceler ameaçou expulsar um funcionário da embaixada dos EUA.

“Isso é sem dúvida uma tática para unir os seguidores em torno dele e tratar todos os demais como traidores da pátria”, disse Maruja Tarre, especialista em Relações Internacionais da Universidade Simón Bolívar, em Caracas.

Em suas aparições televisivas, Chávez evita citar detalhes das reformas. Prefere às vezes discutir teorias exóticas, como a de que o libertador Simón Bolívar foi assassinado, em vez de ter morrido de tuberculose, como ensinam os livros.

Recentemente, ele decretou uma mudança de 30 minutos na hora oficial do país, o que virou praticamente assunto único na mídia.

“Quanto mais as pessoas aprendem sobre o conteúdo das reformas, mais preocupadas ficam”, disse Elsa Cardozo, especialista em Relações Exteriores na Universidade Central. “Por isso Chávez tem de apresentar isso como um plebiscito a favor ou contra ele.”

A oposição, dividida e com pouco dinheiro, sofre para assegurar espaço na mídia. Antes da campanha, o governo decidiu não renovar a concessão da principal rede oposicionista de TV, e um jornal, também ligado à oposição, se queixa de que o canal estatal dedica muitas horas à propaganda do “sim” e poucos segundos ao “não.”

As pesquisas indicam um empate técnico, e provavelmente o resultado dependerá do comparecimento --daí a importância de Chávez inflamar seu eleitorado. Já a oposição torce pela mobilização estudantil, que ganha força nos últimos meses.

Desviando a atenção do referendo, Chávez na quarta-feira anunciou que não manteria mais relações com o governo do presidente colombiano, Alvaro Uribe, que neste mês o afastou da mediação que Chávez promovia entre Bogotá e a guerrilha Farc.

Também na quarta-feira, ele havia acusado a rede norte-americana CNN de desejar seu assassinato, ao mostrar uma foto sua com a legenda “Quem o Matou?”. A CNN se desculpou pelo erro. Chávez disse também que um franco-atirador recentemente testou uma mira a laser contra ele durante uma passeata.

Além disso, seu chanceler foi à TV agitando um documento que supostamente provaria uma conspiração de um funcionário diplomático norte-americano em prol do “não”. O chanceler ameaçou expulsar o funcionário se esse complô ficar provado.

David Scott Palmert, professor de Relações Exteriores da Universidade de Boston, disse que tudo isso é um sinal de que Chávez está preocupado com o desconforto dos venezuelanos em relação às reformas.

“Tenho total confiança de que esses incidentes foram explorados a fim de criar uma distração interna”, afirmou.

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