1 de Setembro de 2008 / às 16:51 / em 9 anos

Betancourt conta ao papa sobre 'milagre' ocorrido nas selvas

Por Robin Pomeroy

<p>A franco-colombiana Ingrid Betancourt (dir) encontra o Papa Bento XVI em uma audi&ecirc;ncia privada na resid&ecirc;ncia de ver&atilde;o dele em Castelgandolfo, dia 1o. de setembro. Ela abra&ccedil;ou o papa Bento 16 na segunda-feira e narrou-lhe como havia ficado emocionada ao ouvir o apelo do pont&iacute;fice pela liberta&ccedil;&atilde;o dela. Photo by Osservatore Romano</p>

ROMA (Reuters) - Ingrid Betancourt, a franco-colombiana feita refém por guerrilheiros libertada recentemente, abraçou o papa Bento 16 na segunda-feira e narrou-lhe como havia ficado emocionada ao ouvir o apelo do pontífice pela libertação dela, em uma transmissão de rádio feita durante os sete anos que ficou presa em acampamentos na mata.

Betancourt, resgatada pelos militares colombianos em julho das mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ficou com os olhos rasos d’água ao descrever seu encontro a portas fechadas com Bento 16.

“A audiência com o papa foi um sonho para mim, encontrar um ser de luz, de humanidade e de alto grau de compreensão humana”, disse em uma entrevista coletiva a ex-refém, ao descrever a conversa tida com o líder da Igreja Católica.

“Eu não segui o protocolo porque, assim que entrei ali, eu abracei o papa. E talvez o correto fosse não abraçar o papa”, afirmou Betancourt a respeito de seu encontro, na residência de verão do pontífice, localizada ao sul de Roma.

A ex-refém, 46, capturada por guerrilheiros quando fazia campanha para a Presidência colombiana, disse que Bento 16 havia se transformado em uma fonte de esperança quando, depois de um dia típico de marcha forçada pela floresta, ela o ouviu no rádio.

“Assim que liguei o rádio, ouvi a voz do papa dizendo meu nome. Vocês não podem imaginar o que isso significa para uma pessoa na minha situação, uma prisioneira, que compreende então não ter sido esquecida.”

Bento 16 fez vários apelos em nome da libertação dela e de outros reféns.

Apesar de católica, Betancourt afirmou nunca ter lido a Bíblia --“um livro velho e empoeirado”-- antes de sua captura. Mas que, no cativeiro, teve tempo de lê-lo “20 mil vezes” e que agora o considerava um guia de vida. “Existe um manual de instrução para a felicidade e ele se chama a Bíblia”, disse.

A ex-candidata contou ao papa como havia orado pedindo um milagre, pedindo a Deus não que a libertasse, mas que lhe enviasse um sinal sobre quando ela seria libertada, algo que sentia ser essencial para salvá-la do desespero completo.

Pouco depois disso, um dos responsáveis pelo cativeiro afirmou que alguns reféns poderiam ser libertados para um grupo visitante de uma “comissão internacional”. Betancourt foi um dos reféns libertados em uma operação realizada, de fato, pelas forças de segurança colombianas.

“Quando eu contei isso ao papa, ele respondeu: ‘Ele escutou você porque você soube como perguntar. Você não pediu um milagre para se libertar, mas pediu para compreender qual era o desejo Dele’.”

Ao ser questionada sobre seus planos para o futuro, Betancourt não descartou a possibilidade de regressar ao mundo político na Colômbia. Afirmou, no entanto, que sua prioridade agora era formar um grupo de pessoas encarregado de trabalhar pela libertação de outros reféns existentes naquele país e em outros países.

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