19 de Setembro de 2008 / às 14:09 / 9 anos atrás

Coréia do Norte recua de tratado nuclear

Por Jack Kim

SEUL (Reuters) - A Coréia do Norte anunciou na sexta-feira a reativação iminente da sua usina nuclear e rejeitou a perspectiva de ser retirada da lista norte-americana de patrocinadores do terrorismo em troca de um acordo de desarmamento.

O regime comunista disse ter iniciado obras de reconstrução da usina de Yongbyon, um presente da ex-União Soviética que estava sendo desmontado em consequência de um acordo multilateral da Coréia do Norte com Estados Unidos, China, Japão, Rússia e Coréia do Sul.

"(A Coréia do Norte) nem deseja ser tirada da lista dos 'Estados patrocinadores do terrorismo', nem espera que isso ocorra", disse uma fonte da chancelaria à agência oficial de notícias KCNA.

Em agosto, Pyongyang já ameaçara retomar as atividades em Yongbyon devido à demora de Washington em retirar a Coréia do Norte da lista. No começo de setembro, autoridades norte-americanas relataram medidas ainda tímidas para reativar a usina, capaz de enriquecer plutônio para o uso em armas.

Os EUA dizem que só vão retirar a Coréia do Norte da lista quando inspetores forem autorizados a verificar a suposta produção de armas nucleares no misterioso país. Depois de retirada da lista, a Coréia do Norte poderá ter maior envolvimento em atividades comerciais e financeiras no cenário internacional.

Analistas dizem que o anúncio norte-coreano pode ser uma tentativa de pressionar o governo Bush, que está em final de mandato e tenta deixar um legado diplomático mais claro. O regime também pode estar protelando para tentar negociar um acordo mais vantajoso com o novo governo dos EUA, que toma posse em janeiro.

Uma autoridade sul-coreana familiarizada com as negociações disse que as negociações podem praticamente parar, mas que isso não significa que Pyongyang esteja desistindo de um acordo.

"Acredito que haja um continuado interesse (do Norte) no processo geral envolvendo as seis partes", disse essa fonte, pedindo anonimato.

De acordo com o funcionário, o Norte sabe que há uma correlação entre a desativação nuclear e o recebimento de ajuda. Nos últimos meses, a Coréia do Norte já tem recebido carregamentos de combustível que são essenciais para a sua precária economia. Os negociadores estrangeiros haviam prometido 1 milhão de toneladas de combustível pesado em troca dos avanços preliminares obtidos sob o acordo.

O regime norte-coreano, que há dois anos testou uma bomba atômica, começou a desmantelar Yongbyon no começo de novembro de 2007, conforme previa o acordo multilateral. A desativação, que deveria impedir a produção de plutônio enriquecido por pelo menos um ano, estava quase concluída, faltando apenas algumas medidas relativas a cápsulas nucleares novas e usadas.

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