24 de Junho de 2008 / às 17:35 / 9 anos atrás

Governo busca auto-suficiência em adubos e poderá atuar no setor

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 24 de junho (Reuters) - O Brasil tem a meta de se tornar em dez anos auto-suficiente em fertilizantes, especialmente em fósforo e produtos nitrogenados, e o governo poderá atuar no setor para incentivar a produção caso não deslanchem os investimentos privados, afirmou o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

Segundo ele, os fertilizantes, que representam entre 40 e 50 por cento do custo de produção de grãos, agora viraram questão de segurança nacional, no momento em que o mundo vive um problema de oferta de alimentos e crescentes temores inflacionários, que afetaram inclusive o Brasil, grande exportador de produtos agrícolas.

A grande preocupação ocorre porque o Brasil, apesar de sua força agrícola, importa a maior parte do adubo que consome, produto que teve alta de preço de mais de 100 por cento para algumas formulações.

"Temos levantamento de todas as minas existentes no Brasil, nas mãos de quem está a lavra... E se for o caso, o governo vai entrar", afirmou o ministro a empresários do setor nesta terça-feira em evento promovido pela BMFBovespa.

Falando à platéia, o ministro foi mais enfático sobre a necessidade de as empresas aumentarem seus investimentos.

"Três ou quatro empresas que dominam o mercado no Brasil e no mundo praticamente sentaram em cima das minas e não estão explorando", disse ele durante sua apresentação, lembrando em seguida que "uma empresa" (a Bunge) anunciou investimentos de mais de 3 bilhões de reais na exploração.

"Ótimo, é isso que nós queremos."

Depois, falando a jornalistas, o ministro afirmou que o objetivo do governo é ter uma "agenda positiva" com as empresas que produzem fertilizantes no Brasil.

"Queremos que comecem a investir e acelerem o seu cronograma de pesquisa ou de lavra no sentido de nos tornarmos auto-suficientes", disse ele, prevendo que isso deve ocorrer entre cinco e dez anos.

Se as empresas não acelerarem investimentos, reafirmou o ministro, o governo "estuda a alternativa de participar em consórcio possivelmente com os produtores rurais para exploração de algumas minas, como vai acontecer com o Mato Grosso."

Segundo ele, o governo poderá financiar a exploração de minas de fosfato em Mato Grosso, em terras de propriedade dos próprios agricultores. Ele não deu mais detalhes desse plano para o desenvolvimento da produção de fosfato, cujas reservas são grandes e distribuídas por boa parte do território nacional.

Stephanes disse ainda que a produção de fertilizantes nitrogenados deverá contar com uma maior participação da Petrobras no processo.

"A Petrobras vai entrar mais forte com exploração de gás na bacia de Santos", explicou, referindo-se à matéria-prima básica no processo de produção de nitrogenados.

No setor de potássio, o terceiro elemento básico dos fertilizantes, o ministro vê mais dificuldades de o Brasil se tornar auto-suficiente.

"A questão do potássio é mais difícil, temos apenas três minas conhecidas no Brasil, uma explorada pela Vale em Sergipe, a segunda a Vale também detém os direitos de lavra, e já está fazendo investimentos. Só que a soma dessas duas explorações não dará 20 por cento das nossas necessidades", explicou.

O ministro lembrou ainda que o país conta com uma grande mina de potássio em Nova Olinda, no Amazonas, perto da confluência do Rio Madeira com o Amazonas, mas há dificuldades técnicas e ambientais. De qualquer forma, o governo já iniciou estudos para explorar a reserva.

Edição de Marcelo Teixeira

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