25 de Março de 2008 / às 11:59 / em 10 anos

Soldados enfrentam milícia em cidade petrolífera do Iraque

Por Aref Mohammed

BASRA, Iraque (Reuters) - Forças do governo e milicianos xiitas se envolveram em violentos tiroteios na terça-feira, na disputa pelo controle da cidade de Basra, importante centro petrolífero no sul do Iraque.

Os soldados atacaram os milicianos em seis bairros das zonas central e norte de Basra, onde há grande presença da milícia Exército Mehdi, do clérigo xiita Moqtada Al Sadr.

Sadr, cujos seguidores já ordenaram a saída de policiais e soldados das ruas de Sadr City, bairro no nordeste de Bagdá dominado pela milícia, ameaçou realizar uma “revolta civil” em âmbito nacional caso os ataques ao Exército Mehdi continuem.

Uma testemunha da Reuters viu colunas de fumaça preta e ouviu explosões e rajadas de metralhadora. TVs mostraram soldados iraquianos correndo por ruas vazias, sob a cobertura de helicópteros.

“Há confrontos nas ruas. Balas estão vindo de todos os lugares, e podemos ouvir o som das explosões de foguetes. Isso está acontecendo desde o amanhecer”, disse o morador Jamil, encolhido em sua casa, por telefone à Reuters.

O Exército Mehdi, com milhares de combatentes, se mantém relativamente discreto desde a trégua declarada em agosto por Sadr. Mas alguns milicianos estão irritados com a trégua, e na terça-feira há sinais de que a tensão se espalha.

Policiais e homens armados trocaram tiros em Kut, outra cidade do sul do Iraque, onde na semana passada o Exército Mehdi já havia enfrentado a polícia. Uma testemunha da Reuters ouviu disparos. As ruas estavam vazias, e o comércio, fechado. A polícia disse que há um toque de recolher em vigor.

Em Sadr City, favela com 2 milhões de habitantes em Bagdá, principal reduto de Sadr, moradores disseram que homens do Exército Mehdi apareceram nas ruas e expulsaram policiais e soldados do bairro.

Em vários outros bairros, a milícia manteve o que chamou de “campanha de desobediência civil”, fechando o comércio. Centenas de manifestantes realizaram passeatas em dois bairros exigindo a libertação de sadristas presos, segundo testemunhas.

Um comandante militar iraquiano em Basra disse à Reuters que “muitos fora-da-lei” foram mortos na operação, destinada a reafirmar o controle governamental sobre a cidade, em cujos arredores ficam poços responsáveis por 80 por cento da produção nacional de petróleo.

Um porta-voz policial disse que 4 cadáveres e 18 feridos deram entrada no hospital Al Mawana, em Basra.

O major Tom Holloway, comandante das forças britânicas em Basra, disse que o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al Maliki, está na cidade para supervisionar a operação.

“Será muito difícil para o governo central recuperar o controle”, disse Joost Hiltermann, analista radicado em Istambul da entidade International Crisis Group. “Há muitos grupos armados interessados em manter sua participação na riqueza petrolífera.”

Os sadristas disputam o controle de Basra com dois outros grupos xiitas -- o influente Conselho Supremo Islâmico Iraquiano e o pequeno partido Fadhila.

Fontes do setor petrolífero disseram que os campos da região de Basra, que exportaram 1,54 milhão de barris de petróleo por dia em fevereiro, operam normalmente na terça-feira.

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