21 de Outubro de 2008 / às 18:34 / 9 anos atrás

Ataque de João Henrique a Wagner abala aliança PT-PMDB na Bahia

Por Augusto Cesar Barrocas

SALVADOR, 21 de agosto (Reuters) - O candidato Walter Pinheiro (PT) deixou de ser o alvo preferencial do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), que tenta a reeleição para a prefeitura de Salvador. O peemedebista resolveu estender ao governo do Estado e ao PT as críticas que antes dirigia apenas a seu adversário municipal.

Em resposta, o governador Jaques Wagner (PT) admitiu em entrevistas que já considera dispensar a aliança com o PMDB para 2010.

O tom e a intensidade dos ataques revelam que, se ainda existiam algumas pontes de ligação entre PMDB e PT na capital baiana, elas estão sendo dinamitadas. Políticos locais não acreditam mais numa recomposição entre o atual prefeito e o governador.

PMDB e PT compõem a base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador baiano, que tem como vice um peemedebista.

João Henrique e Walter Pinheiro estão tecnicamente empatados nas pesquisas Ibope (44 por cento) e Datafolha (48 por cento para o peemedebista e 41 por cento para o petista).

Ao adotar um estilo arrojado nesta campanha - em contraste à sua tradicional conduta de político cordato até mesmo com os adversários - João Henrique surpreendeu até seus aliados.

João trocou o PDT pelo PMDB em setembro do ano passado. Desde então, seus adversários afirmam que ele está cada vez mais parecido com o líder do partido na Bahia, o ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima.

Parceiro de Wagner até o primeiro turno, ultimamente o prefeito não tem economizado adjetivos quando mira o governo do Estado.

Pelo menos dois secretários estaduais foram definidos por ele como "lerdo" e "incompetente", durante debate na TV Itapoan (Rede Record), domingo à noite.

Agora, os ataques foram dirigidos ao Partido dos Trabalhadores, seu aliado na administração municipal entre janeiro de 2005 e abril de 2008, quando deixou a coalizão para lançar candidatura própria.

BATE-BOCA

Durante almoço com a cúpula do PDT, no Hotel da Bahia, João Henrique traçou o que, segundo ele, seria um perfil do partido. "Traição é uma característica do PT", afirmou.

O discurso acirra ainda mais os conflitos entre as duas legendas. "Aliança com o PT, nunca mais na minha vida", garantiu.

O governador também não foi poupado: "Eu não sei o que seria o governo de Jaques Wagner, hoje, sem o PMDB". Para ele, o que ainda ampara muitos petistas é a popularidade e o carisma do presidente Lula. "Mas, e quando não tiver mais o presidente Lula?", questionou.

Os ataques peemedebistas são respondidos pelos petistas no mesmo tom.

Ao receber apoio do atual vice-prefeito de Salvador, Marcelo Duarte (PSDB) e de ex-secretários municipais de João Henrique, Walter Pinheiro disse que "Salvador precisa de um prefeito que tenha liderança, que respeite a cidade e seu povo e não fique como uma marionete."

O petista aponta "ingerência dos irmãos Vieira Lima" na administração municipal. No caso, o ministro Gedel e seu irmão Lúcio, presidente regional do PMDB, acusados de tutelar o prefeito.

Referindo-se à composição de João Henrique com ACM Neto e Paulo Souto, do DEM, e César Borges, do PR, Walter Pinheiro afirma que os peemedebistas tentam "ressuscitar as forças que dominaram a Bahia e foram derrotadas nas eleições de 2004 e agora, no primeiro turno."

Reportagem de Augusto Cesar Barrocas, Edição de Mair Pena Neto

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