23 de Outubro de 2007 / às 04:09 / em 10 anos

Rebeldes matam 12 soldados turcos; premiê convoca reunião

Por Ferit Demir

<p>Turcos fazem protestos contra os curdos em Ancara, 12 de outubro. O primeiro-ministro turco Tayyip Erdogan convocou uma reuni&atilde;o de emerg&ecirc;ncia depois de rebeldes curdos terem matado pelo menos 12 soldados turcos numa emboscada perto da fronteira iraquiana, no domingo. Photo by Stringer</p>

TUNCELI (Reuters) - O primeiro-ministro turco Tayyip Erdogan convocou uma reunião de emergência que pode resultar na autorização de uma ofensiva militar em território iraquiano, depois de rebeldes curdos terem matado pelo menos 12 soldados turcos numa emboscada perto da fronteira iraquiana, no domingo.

O ataque, um dos piores em mais de uma década desferido por rebeldes do proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), aconteceu quatro dias depois de o Parlamento de Ancara ter ratificado uma moção autorizando a entrada de tropas turcas no norte do Iraque para combater guerrilheiros curdos escondidos na região.

“Estamos muito irados... Nosso Parlamento nos autorizou a agir, e, nesse contexto, faremos o que for preciso”, disse Erdogan num local de voto em Istambul, depois de votar no referendo deste domingo sobre modificações constitucionais.

Erdogan disse que autoridades militares e governamentais vão se reunir às 20h (15h em Brasília) no palácio presidencial, sob a direção do presidente Abdullah Gul, para decidir como a Turquia deve reagir.

O comando militar geral da Turquia disse que 12 soldados e 23 rebeldes foram mortos nos choques do domingo. Fontes de segurança tinham dito anteriormente que pelo menos 13 soldados turcos foram mortos. Os rebeldes turcos dizem que 16 soldados foram mortos e que vários militares turcos foram feitos reféns.

Em outro incidente no domingo, uma mina terrestre matou um civil e feriu pelo menos 13 outros num microônibus que passava perto do local onde os soldados foram mortos.

Os EUA, aliados da Turquia na Otan, e o governo de Bagdá pediram a Ancara que se abstenha de ações militares, temendo que isso possa desestabilizar a parte mais pacífica do Iraque.

O líder curdo iraquiano Mahmoud Barzani disse no domingo que, se tropas turcas lançarem uma incursão em território iraquiano, sua região autônoma vai se defender.

“Não vamos nos deixar envolver na guerra entre PKK e Turquia, mas, se a região do Curdistão for alvejada, vamos defender nossos cidadãos,” disse Barzani a jornalistas depois de reunir-se com o presidente iraquiano Jalal Talabani, que também é curdo.

Em Arbil, no Iraque, um oficial militar curdo disse que os militares turcos dispararam morteiros de artilharia contra cerca de 11 áreas ao longo da fronteira iraquiana na manhã do domingo. Não houve baixas.

O ataque do PKK, que deixou até 16 feridos, ocorreu na província de Hakkari, na região montanhosa da fronteira, na manhã do domingo.

A agência de notícias Firat, pró-PKK, disse que os rebeldes fizeram “muitos reféns” entre as tropas turcas. A notícia não pôde ser confirmada por fontes independentes.

A Turquia já posicionou até 100 mil soldados ao longo da fronteira para tentar impedir os rebeldes do PKK de sair de suas bases do Iraque para lançar ataques na Turquia.

O governo de Erdogan está sendo pressionado pela opinião pública e pelas poderosas forças armadas para agir contra o PKK, após uma série de ataques mortíferos contra as forças de segurança turcas.

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