10 de Agosto de 2008 / às 20:43 / em 9 anos

Caos reina em cidade rebelde da Geórgia depois de batalha

Por Denis Sinyakov

TSKHINVALI, Geórgia (Reuters) - Apenas o rumor da artilharia distante quebrava o silêncio que envolvia Tskhinvali neste domingo, mas os habitantes da principal cidade da região rebelde da Ossétia do Sul se perguntavam quanto tempo iria durar a calma relativa.

Em meio aos escombros dos prédios destruídos, os residentes se aventuraram pela primeira vez para fora dos porões no domingo, depois de três dias de intensos combates.

Muitos ficaram chocados ao verem as ruas cobertas de escombros e vidros quebrados, além de corpos espalhados no chão.

Alguns residentes disseram que muitas pessoas continuam soterradas pelos escombros de concreto e metal.

“É terrível. Não sabemos o que está acontecendo”, disse uma senhora de idade a um repórter da Reuters que entrou na cidade com as tropas russas. “Nunca vi nada igual em toda a minha vida”.

Milhares de civis fugiram durante as primeiras horas da batalha e muitos prédios de apartamentos, com as paredes cravejadas de tiros, pareciam desertos.

Com a maior parte da infra-estrutura local em ruínas, os residentes tentavam achar água e comida, enquanto o fogo de artilharia vibrava nos arredores da cidade.

Violeta Kukoyeva, que acompanhava um parente mais velho, disse ter passado os três últimos dias escondida em um abrigo subterrâneo.

“Não tínhamos nada para comer. Só um pouco de pão, um pouco de água”, disse.

Os médicos de um hospital local transferiram pacientes para um porão fracamente iluminado depois que as explosões abriram grandes buracos nos andares superiores. Eles disseram não ter suprimentos médicos ou água para tratar dos 200 feridos.

“Não temos nada para alimentá-los. Damos o pouco pão que temos aos mais velhos. Eles precisam mais”, disse a doutora Valentina Kutukhova.

Moscou disse que dois mil civis haviam morrido e milhares estavam desabrigados em uma “catástrofe humanitária” na Ossétia do Sul. Os números não puderam ser verificados.

A Geórgia propôs um cessar-fogo e no domingo disse ter retirado suas tropas da capital separatista. Mas os habitantes locais disseram que as tropas da Geórgia continuavam ao redor da cidade. Algumas pessoas disseram haver atiradores escondidos nas ruínas.

Um repórter da Reuters viu os corpos de seis soldados da Geórgia deixados sobre pilhas de escombros perto de um tanque.

“Tudo está destruído, nada funciona, nem mesmo o necrotério”, disse a médica de um hospital local, com a voz trêmula. “Os combates continuam. Não sobrou mais nada”.

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