11 de Setembro de 2008 / às 10:28 / em 9 anos

Em ato pró-Alckmin, Serra fala que campanha tucana é "complexa"

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - Na primeira declaração pública de apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura de São Paulo, o governador tucano José Serra admitiu a complexidade da disputa e disse que o partido paga um preço por suas escolhas.

Serra compareceu a jantar na quarta-feira à noite organizado pelo partido, que contou com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O encontro teve duplo objetivo: arrecadar fundos para a campanha de Alckmin e comemorar os 20 anos do PSDB. Foram vendidos, segundo a organização, 400 convites ao preço de 1 mil reais cada.

“Agora estamos diante de outra campanha, complexa, pelas condições que todos conhecem”, disse Serra em discurso, quando fez questão de afirmar que a data do encontro foi escolhida por ele.

Sem detalhar as tais “condições”, ele exemplificou o momento utilizando como metáfora o título de um romance do escritor Rubem Fonseca de 1988.

“Aquele título do Rubem Fonseca, ‘Vastas Emoções e Sentimentos (na verdade, Pensamentos) Imperfeitos’ prevalece mais do que nunca”, explicou.

Passou em seguida para a crítica às administrações anteriores à atual, iniciada por ele em 2005 e herdada por seu vice, Gilberto Kassab (DEM), em 2006, quando o tucano concorreu e ganhou o governo do Estado.

“É uma campanha muito importante para delimitar áreas, delimitar lados, porque temos que olhar para o futuro da cidade, para que não volte aquilo que a infelicitou durante tanto tempo. As gestões sucessivas de (Paulo) Maluf, (Celso) Pitta e Marta (Suplicy, PT) foram de amargar.”

Sem citar Kassab em nenhum momento do discurso, apesar de ter defendido o apoio do PSDB a seu sucessor e de ter sido voto vencido após a aprovação da candidatura Alckmin, Serra disse acreditar que o candidato tucano pode reverter a queda nas pesquisas de intenção de voto que o colocam em empate técnico com o prefeito para disputar o segundo turno com Marta, isolada na liderança.

“Resultado de pesquisa é uma fotografia do momento. Pesquisa a gente faz com a luta e essa luta é a que o Alckmin está travando com nosso apoio, com o apoio do PSDB.”

SUCESSÃO DE 2010

Ao declarar adesão integral a Alckmin, Fernando Henrique foi enfático na necessidade de vitória do PSDB na capital paulista, como meio para a sucessão presidencial de 2010. Lembrou, no entanto, que as vitórias do partido dependeram também de acordo com aliados, em uma sinalização ao DEM, que nesta eleição é adversário.

“São Paulo é uma síntese poderosa da energia brasileira. É importante que essa energia se canalize. Vamos ganhar agora aqui, mas precisamos ter em vista 2010. Precisamos ter em vista a vitória do PSDB no Brasil e com os nossos aliados, porque ninguém ganha sozinho”, disse.

Serra também mandou recado ao partido. “Cada escolha tem seu preço. Na nossa caminhada, nós triunfamos mas também pagamos o preço das nossas escolhas.”

O governador fez ainda uma comparação inédita na campanha de Alckmin, ao comparar a avaliação pelos paulistas de seu próprio governo com a do ex-governador (2001-2006). “Apesar de o meu governo estar indo bem, não temos os mesmos índices de aprovação que Geraldo chegou a ter no final de seu governo.”

Ao discursar antes dos dois, Alckmin lembrou da eleição municipal de 2004 e disse que cabe ao PSDB continuar a gerir a prefeitura. “Não era uma eleição fácil, mas vencemos e Serra arrumou a prefeitura. Sou testemunha, eu era governador neste período. É mais do que legítimo que o PSDB queira continuar esse processo.”

A 24 dias do primeiro turno da eleição, Alckmin mostrou otimismo. “Agora é que começa a definição do voto”, afirmou.

Serra criticou a gestão petista na prefeitura e disse que recebeu a cidade falida, o que o PT não admite.

“Todo mundo que me cerca me diz para evitar entrar no debate de como recebemos a prefeitura, afirmam que são os candidatos quem tem de fazer isso. Mas uma coisa é certa, nós recebemos São Paulo absolutamente falida”, atacou, apontando que o mínimo que deveria ter encontrado em caixa eram 2 ou 3 bilhões de reais para a manutenção da cidade.

O evento aconteceu no mesmo dia em que foi anunciada a saída do marqueteiro Lucas Pacheco da campanha de Alckmin. Ele foi substituído pelo publicitário Raul Cruz Lima.

Os vereadores tucanos pró-Kassab não foram convidados para o jantar. “Eles não são mais considerados do PSDB”, declarou o deputado Edson Aparecido, coordenador da campanha de Alckmin.

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