4 de Abril de 2008 / às 15:28 / em 10 anos

'Sejamos amigos, pessoal', diz Putin a líderes da Otan

Por Oleg Shchedrov e Mark John

<p>O presidente da R&uacute;ssia, Vladimir Putin, fala durante entrevista coletiva em reuni&atilde;o de c&uacute;pula da Otan em Bucareste. Putin pediu &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan) que chegue a um acordo com o pa&iacute;s sobre disputas referentes &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o da alian&ccedil;a militar. Photo by Oleg Popov</p>

BUCARESTE (Reuters) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que se esforce para chegar a um acordo com o país sobre disputas referentes à ampliação da aliança militar, ao controle de armas e a um escudo de defesa antimíssil.

As declarações foram dadas na sexta-feira, durante uma cordial despedida do líder russo, que participou de sua última cúpula da entidade.

Putin reconheceu que a “ressurreição de uma Rússia forte e independente” não facilitou as relações do país, mas observou que o sucessor dele, Dmitry Medvedev, teria a chance de consolidar laços internacionais.

Um encontro de 90 minutos com o presidente dos EUA, George W. Bush, e com outros líderes da Otan em Bucareste não resultou em grandes avanços a respeito de vários pontos de atrito, entre os quais Kosovo e o escudo antimíssil planejado pelos norte-americanos, desavenças essas que levaram as relações recíprocas a seu pior momento desde o fim da Guerra Fria.

No entanto, apesar de Putin ter reafirmado a oposição russa aos planos de expansão da Otan, considerados uma ameaça em potencial, o tom do pronunciamento dele diferenciou-se bastante das críticas mordazes lançadas anteriormente contra os EUA e os aliados deles ao longo dos últimos meses.

“Sejamos amigos, pessoal. Sejamos francos e abertos”, afirmou em uma entrevista coletiva, declarando ser impossível a eclosão de uma nova Guerra Fria.

A presença de Putin na cúpula marca a primeira vez em seis anos em que os líderes da Otan convidaram o líder russo para participar de um encontro do tipo. O fato deu-se um mês antes de o dirigente entregar seu cargo a Medvedev, um fiel aliado.

No sábado, Putin receberá Bush -- que também chega ao fim de seu governo -- em sua vila à beira do mar Negro, em Sochi, para discutir as idéias dos norte-americanos sobre um eventual “projeto estratégico” de pacto de segurança que o líder dos EUA gostaria de deixar como legado seu.

“Não posso dizer que nesta manhã obtivemos avanços históricos”, afirmou o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, em uma entrevista coletiva. Mas acrescentou: “As negociações transcorreram em um clima positivo.”

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defendeu a realização de cúpulas mais frequentes e regulares com o líder russo, afirmando: “A Otan não é contra ninguém -- e certamente não é contra a Rússia. A Rússia representa um parceiro.”

Tanto Putin quanto Merkel disseram que seria possível chegar a uma solução para os problemas envolvendo o tratado de Forças Convencionais na Europa. O governo russo suspendeu sua participação do acordo, argumentando que os termos do pacto assinado ainda na época da União Soviética eram injustos.

Reportagem adicional de Justyna Pawlak e David Brunnstrom

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