31 de Janeiro de 2008 / às 23:14 / em 10 anos

EUA estão despreparados para reagirem a ataque, diz estudo

Por Kristin Roberts

WASHINGTON (Reuters) - O Pentágono não está preparado para reagir a um catastrófico ataque químico, biológico ou nuclear em território norte-americano, segundo relatório de uma comissão independente entregue na quinta-feira ao Congresso.

Se por um lado o Departamento de Defesa realiza planejamentos exaustivos para operações no exterior, por outros os seus preparativos para a reação a um possível ataque dentro dos EUA são inadequados, disse a Comissão sobre a Guarda e Reservas Nacionais.

“Examinamos seus planos. São totalmente inaceitáveis”, disse o presidente da comissão, Arnold Punaro, general reformado dos marines.

“Não seria possível deslocar nem mesmo uma unidade de escoteiras com o tipo de planejamento que eles estão fazendo”, disse Punaro, ironizando os planos preparados pelo Comando Norte, que é responsável pela defesa doméstica dos EUA.

Embora outros órgãos federais, como o Departamento de Segurança Doméstica, sejam responsáveis por parte da reação do governo e um eventual ataque, o Departamento de Defesa é o único órgão com recursos e capacidade para administrar uma reação coletiva, segundo a comissão.

A comissão disse que a Guarda e a Reserva Nacional deveriam receber ordens para liderar as atividades domésticas do Pentágono, já que esses soldados de “meio-período” vivem espalhados pelos EUA e costumam ter as habilidades necessárias para enfrentar uma emergência.

Mas os militares não dedicaram tempo e recursos suficientes a preparar essa tarefa, apesar da criação do Comando Norte depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, segundo a comissão, que foi criada pelo Congresso para estudar o melhor uso das forças de reserva.

Na opinião da comissão, esse despreparo se deve em parte a históricas tensões entre o governo federal e os Estados. Fontes de defesa dizem também que os militares costumam ver sua participação em emergências internas como um mero apoio a agências civis.

Os oficiais do Comando Norte não comentaram o relatório, alegando que antes do Pentágono deveria examinar suas quase cem recomendações.

A Reserva e a Guarda Nacional têm um duplo mandato: para lutar no exterior e para atuar na defesa interna. Os governadores comandam a Guarda em tempos de paz e podem convocá-la em emergências locais, como inundações. Mas o presidente também pode ativar a guarda para missões federais, como a guerra do Iraque.

Durante a Guerra Fria, essa era uma “reserva estratégica”, pronta para se juntar às tropas da ativa em caso de conflito armado com a União Soviética. Desde a década de 1990, porém, a Guarda e a Reserva começaram a ser usadas com mais regularidade em missões de combate.

A disponibilidade dessas forças permitiu, por exemplo, que Washington travasse duas guerras simultâneas, no Afeganistão e Iraque, sem recorrer ao alistamento obrigatório, segundo a comissão.

Mas o uso repetido dessas forças sobrecarregou as tropas de reservas, seus equipamentos e suas famílias, o que levou a comissão a propor ao Pentágono e ao Congresso uma reformulação das tarefas, da administração e do treinamento dos reservistas e membros da Guarda.

Algumas recomendações da comissão são polêmicas e devem enfrentar resistência do Pentágono. É o caso da sugestão para que os governadores sempre mantenham a autoridade sobre as forças dentro de seus Estados, para tornar mais clara a cadeia de comando em caso de emergência. Os militares já haviam anteriormente rejeitado propostas desse tipo.

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