27 de Outubro de 2008 / às 00:43 / 9 anos atrás

Urna eletrônica "pacifica os ânimos", diz ministro do TSE

BRASÍLIA, 26 de outubro (Reuters) - O Brasil está na “vanguarda” do processo eleitoral mundial com o uso de urnas eletrônicas e algumas cidades tiveram o resultado do segundo turno cerca de uma hora depois de encerrada a votação, disse no domingo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto.

“É o milagre da eletrônica”, declarou Ayres Britto a jornalistas, complementando que o clima de tensão e disputa entre os candidatos e seus grupos políticos é reduzido pela rapidez no cômputo dos votos.

“A urna eletrônica é um prodígio, porque pacifica os ânimos”, acrescentou.

No segundo turno, 515 urnas eletrônicas sofreram problemas técnicos e foram substituídas, 0,7 por cento do total. Em um desses casos, no Rio de Janeiro, os eleitores foram obrigados a votar em cédulas de papel. No primeiro turno, 2.540 urnas eletrônicas foram trocadas, o que representou 0,6 por cento do total.

Ayres Britto voltou a afirmar que a identificação biométrica do eleitor -- por meio de impressão digital e foto -- será implementada em todo o país em oito anos. No primeiro turno, o dispositivo foi testado em três cidades.

O ministro não soube informar quanto a iniciativa custará, mas se mostrou preocupado com a possibilidade de a crise financeira internacional limitar os recursos que serão destinados ao projeto. “É um risco”, admitiu.

O presidente do TSE disse acreditar que será possível um dia os eleitores votarem de suas casas, por meio da Internet. “É viável esse tipo de futuro, mas eu não correria o risco de fazer projeção de tempo”, afirmou o ministro, explicando que os votos seriam legitimados por certificações digitais.

Por outro lado, o presidente do TSE reconheceu que a Justiça Eleitoral tem dificuldades para combater irregularidades durante as eleições, como compra de votos, boca-de-urna e abuso dos poderes econômico e político.

“É impressionante a capacidade imaginativa de quem se dispõe a fraudar o processo eleitoral brasileiro”, lamentou.

A Justiça Eleitoral registrou 554 ocorrências policiais neste domingo. Três candidatos se envolveram nesses casos. Foram presas 410 pessoas, mas nenhum candidato foi detido.

Para o presidente do TSE, como cerca de 27 milhões de eleitores eram esperados neste segundo turno, o número de ocorrências não é representativo. “Não é de causar maior preocupação”, comentou.

Seis dessas prisões foram realizadas em Benedito Leite (MA), onde a eleição do dia 5 foi cancelada devido a um tumulto generalizado. Na ocasião, urnas foram queimadas e seções eleitorais invadidas. No domingo, foi eleito prefeito do município maranhense Junior Coelho (PRB), com 45,02 por cento dos votos válidos.

No primeiro turno, realizado no dia 5, a Justiça Eleitoral registrou 4.787 ocorrências em todo o país. Foram presos 214 candidatos e 2.526 não candidatos.

O ministro informou também que apurará as denúncias de que algumas pessoas teriam votado por outros eleitores. Ayres Britto disse que já houve esse tipo de suspeita em outras eleições, mas ponderou que dificilmente fica comprovado que esses crimes realmente aconteceram.

Reportagem de Fernando Exman; Edição de Mair Pena Neto

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