27 de Junho de 2008 / às 17:55 / 9 anos atrás

Milícias do Zimbábue obrigam eleitores a votar em Mugabe

Por Cris Chinaka

HARARE (Reuters) - Muitos zimbabuanos boicotaram na sexta-feira o segundo turno das eleições presidenciais, das quais participa apenas um candidato, mas testemunhas e observadores disseram que em algumas áreas milícias do governo obrigaram pessoas a votarem no dirigente do país, Robert Mugabe.

O pleito, realizado apesar de críticas vindas de dentro e de fora da África, é descrito por governos do Ocidente e por Morgan Tsvangirai, líder da oposição, como uma armação.

Tsvangirai, que venceu o primeiro turno da disputa no dia 29 de março, retirou-se da eleição uma semana atrás e buscou refúgio na Embaixada da Holanda por causa de atos de violência incentivados pelo governo zimbabuano e nos quais, segundo o político, quase 90 de seus simpatizantes teriam sido assassinados.

O ex-candidato afirmou em uma entrevista coletiva que milhões de pessoas deixariam de votar apesar da campanha de intimidação.

"O que está acontecendo hoje não é uma eleição. Trata-se de um exercício de intimidação em massa no qual pessoas de todo o país vêem-se obrigadas a votar", disse Tsvangirai.

Uma testemunha da cidade de Chitungwiza, ao sul de Harare, contou à Reuters ter visto alguns zimbabuanos sendo obrigados a informar seu número de eleitor e detalhes sobre sua carteira de identidade para uma autoridade do partido Zanu-PF, de Mugabe, a fim de que fosse verificado como votaram.

O grupo de defesa dos direitos civis Coalizão Crise Zimbábue disse que chefes de vilarejo haviam "ajudado" professores a votar em algumas áreas rurais depois de coagi-los a declararem-se analfabetos.

O comparecimento às urnas era pequeno em áreas urbanas nas quais o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Tsvangirai, costuma ter mais força.

Não se sabe ainda, porém, quantos eleitores compareceram às urnas nas zonas rurais pobres, de difícil acesso aos jornalistas independentes.

A Rede de Apoio Eleitoral Zimbábue (ZESN), um grupo de observadores, disse que seus integrantes relataram ter visto líderes comunitários obrigando as pessoas a votarem em algumas zonas rurais.

Segundo a entidade, o pleito não refletiria a vontade do povo. O ZESN já havia dito ter sido impedido de mobilizar de forma adequada seus observadores por causa de atos de intimidação.

Tsvangirai pediu aos eleitores que não votassem, mas aconselhou-os a comparecer às urnas caso corressem algum tipo de perigo.

O comparecimento às urnas em muitas áreas era muito menor do que verificado nas eleições parlamentares e presidenciais de março, quando as pessoas começaram a fazer fila logo nas primeiras horas da manhã. Tsvangirai venceu aquele pleito, mas não conseguiu uma quantidade suficiente de votos para evitar o segundo turno.

O Grupo dos Oito (G8, que reúne países industrializados) criticou o Zimbábue por realizar a eleição de sexta-feira. Os EUA disseram que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) poderia estudar a adoção de mais sanções na próxima semana.

Segundo Tsvangirai, milícias ligadas a Mugabe, 84, ameaçaram matar qualquer um que não votasse ou que votasse na oposição.

Um comitê de segurança da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) pediu que a votação fosse adiada, argumentando que a reeleição de Mugabe não teria legitimidade.

Mugabe, no entanto, manteve seus planos e disse ainda que participará de uma cúpula da União Africana (UA), na próxima semana, a fim de confrontar seus adversários. (Reportagem adicional de MacDonald Dzirutwe e Nelson Banya em Harare, John Chalmers em Tóquio, Dan Wallis em Sharm el-Sheikh, Marius Bosch e Michael Georgy em Johanesburgo)

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