29 de Outubro de 2008 / às 17:59 / 9 anos atrás

O mistério do eleitor americano indeciso: quem e por quê?

Por Andrea Hopkins

CINCINNATI, 29 de outubro (Reuters) - Não é por falta de informação que o fotógrafo Chad Moon, de Ohio, se tornou integrante de uma categoria rara e cobiçada no cenário político dos EUA --um eleitor indeciso no final da campanha.

Ele julga saber o suficiente sobre o republicano John McCain e o democrata Barack Obama. "É que eu não gosto particularmente de nenhum deles", explicou Moon, 32 anos, dono de uma pequena empresa e pai de dois filhos.

A seis dias da eleição presidencial, os indecisos são o alvo prioritário das campanhas eleitorais nos Estados estratégicos.

Mas o que há de errado com essa gente? Depois de mais de um ano de campanha política ininterrupta, o que ainda falta para esses eleitores se decidirem?

Vivendo em um Estado politicamente dividido e eleitoralmente importante, como Ohio, Moon tem sido bombardeado por anúncios de TV, telefonemas automáticos e visitas freqüentes de Obama e McCain à região. Assim, Moon conhece bem os dois.

O problema é que Moon é fiscalmente conservador, e não gosta das propostas fiscais de Obama; por outro lado, é um eleitor não-religioso, "pró-escolha" (no caso do aborto), e por isso não concorda com as posições de McCain e especialmente de sua vice, Sarah Palin, a respeito de questões sociais.

"Realmente não sei o que vou fazer", disse Moon. E quando vai decidir? "Tomara que logo."

Os indecisos ainda são 8 por cento dos prováveis eleitores, segundo pesquisa do Centro Pew de Pesquisas para o Povo e a Imprensa, divulgada na terça-feira.

"Os indecisos são menos educados, menos afluentes, e um pouco mais propensos a serem mulheres do que o eleitor médio", diz o relatório da pesquisa, acrescentando também que os indecisos tendem a ir mais à igreja.

Entender quem são os indecisos e como eles decidem é quase um jogo de salão entre os especialistas em eleições. A CNN chamou um médico com um tomógrafo cerebral para discutir o processo decisório. O New York Times deu espaço para que os neurocientistas Joshua Gold e Sam Wang tentassem explicar a indecisão.

Enquanto cínicos e comediantes tendem a rir dos indecisos como sendo pessoas carentes ou idiotas, Gold virou o argumento de ponta-cabeça. Qual é a lógica de tomar uma decisão antes que todas as informações tenham aparecido?

"As pessoas tendem a pensar nos indecisos como estúpidos; 'como não conseguiram reunir informação suficiente até agora?'", disse ele numa entrevista. "Mas de um ponto de vista puramente racional, faz todo sentido não se comprometer até entrar na cabine eleitoral, porque você poderá colher o máximo de informação possível."

O cientista político Harwood McClerking é um pouco mais cínico. Ele acredita que boa parte dos que se dizem indecisos na verdade, inconscientemente, já têm candidato --vão acabar votando segundo o seu grupo demográfico.

Ou seja, um homem, branco, freqUentador de igreja, habitante do sul dos EUA, tende a votar nos republicanos. Já uma mulher de nível universitário numa grande cidade do Nordeste do país tenderá a votar nos democratas.

Mas McClerking também acredita num elemento racial na indecisão neste ano --muita gente já se convenceu a não votar em Obama, mas reluta em admiti-lo para não parecer racista.

"Minha regra prática pessoal, quando olho para uma pesquisa, e pegar mais ou menos metade dos indecisos e acrescentá-la para o candidato branco, para sentir o que realmente acontece", disse McClerking, professor da Universidade Estadual de Ohio.

Reportagem adicional de Tim Gaynor em Phoenix e Ed Stoddard em Dallas

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