23 de Janeiro de 2008 / às 22:19 / 10 anos atrás

EXCLUSIVO-Recessão dos EUA pode levar petróleo a US$70

Por Santosh Menon

LONDRES (Reuters) - Uma forte recessão nos Estados Unidos poderia fazer o preço do petróleo recuar em pelo menos 20 por cento, já que o crescimento da demanda na China e na Índia não iria compensar a perda de demanda nos EUA, disse na quarta-feira uma importante autoridade indiana do setor petrolífero.

“Se houver uma séria recessão econômica, os preços poderiam despencar para 70 dólares”, disse M.S. Srinivasan, secretário indiano de petróleo, em entrevista à Reuters. Na prática, ele é o mais alto funcionário do ministério indiano de gás e petróleo.

Ele discordou da previsão de que não haverá queda na demanda em caso de recessão nos EUA, pois o crescimento da Ásia e do Oriente Médio iriam compensar a perda.

“Uma recessão de demanda nos EUA terá um enorme impacto na demanda geral por petróleo bruto. Suponha que a demanda dos EUA caia 10 por cento --qualquer recessão séria vai impactar a demanda em pelo menos 10 por cento--, será um enorme impacto sobre a disponibilidade geral de superávit de petróleo”, afirmou.

De acordo com ele, os EUA consomem cerca de 28 por cento do petróleo produzido no mundo, e uma redução de 10 por cento na demanda seria quase equivalente a todo o consumo da Índia, que é de 3 por cento do total mundial.

“Qualquer perturbação marginal pode afetar o mercado global de petróleo muito mais do que qualquer aumento significativo no nosso consumo. A China responde a cerca de 8 a 9 por cento da demanda global, e (Índia e China) juntas ficam bem aquém dos EUA.”

O barril do petróleo chegou a ser vendido a 100 dólares neste mês, mas na quarta-feira oscilou em torno de 87 dólares. Segundo Srinivasan, uma recessão nos EUA pode fazer o preço cair mais 20 por cento, o que levaria a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a reduzir a produção, para evitar uma queda ainda maior.

Na avaliação dele, o aumento de preços nos últimos meses não se deveu a problemas de fornecimento, e sim a especulações para a formação de estoques, como alega a Opep.

Essa é uma opinião rara em se tratando de um consumidor de petróleo, pois a maioria deles, especialmente os Estados Unidos, pressiona a Opep a elevar sua produção.

“Não é um desencontro entre demanda e oferta. A demanda realmente não fugiu de controle. A oferta está disponível em quantidades adequadas. Outros fatores, como o enfraquecimento do dólar e a especulação de fundos de ‘hedge’ é responsável pelo aumento do preço do petróleo.”

“Cada vez mais dinheiro está indo para a especulação da energia. Se a especulação fosse restringida, limitando os volumes do comércio aos verdadeiros produtores e usuários, os preços apresentariam um declínio de 20 dólares”, acrescentou.

AMÉRICA LATINA

De acordo com o funcionário, a Índia pretende reduzir sua dependência em relação ao petróleo do Oriente Médio, de 60 por cento atualmente para pouco menos de 50 por centro dentro de quatro anos.

Em dois anos, a Índia pretende comprar petróleo da América Latina, o que ainda depende da adaptação de portos para receber enormes navios-tanque. “A distância é tão grande que precisamos ter volumes viáveis. Do contrário, os custos de transporte vão comer uma grande parte do que economizamos,” explicou.

Por Santosh Menon

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