3 de Junho de 2008 / às 13:14 / em 9 anos

Cúpula da FAO culpa barreiras comerciais por alta do alimentos

<p>O presidente franc&ecirc;s, Nicolas Sarkozy, falando na c&uacute;pula da FAO, em Roma, 3 de junho de 2008 REUTERS. Photo by Pool</p>

Por Stephen Brown e Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) propôs na terça-feira a remoção de barreiras comerciais como forma de evitar um surto de fome que pode afetar quase 1 bilhão de pessoas.

“Nada é mais degradante que a fome, especialmente quando produzida pelo homem”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, a uma platéia de líderes mundiais, cujas divergências envolvendo a suposta ligação entre a alta dos alimentos e os biocombustíveis, um dos temas a serem discutidos na cúpula da FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura) em Roma, devem aparecer.

Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, disse que os países ricos têm gasto bilhões de dólares em subsídios agrícolas, desperdício, consumo excessivo de alimentos e armas.

“O consumo excessivo dos obesos do mundo custa 20 bilhões de dólares por ano, aos quais devem se somar os custos indiretos de 100 bilhões de dólares resultantes das mortes prematuras e doenças correlatas.”

O Banco Mundial e agências humanitárias estimam que o aumento dos preços alimentícios pode fazer com que o número de famintos no mundo salte de 850 milhões para 950 milhões.

Ban estimou que para evitar uma crise alimentar seria preciso investir de 15 a 20 bilhões de dólares por ano, e que a oferta de alimentos deveria crescer 50 por cento até 2030, para acompanhar a demanda.

“Alguns países agiram limitando exportações ou impondo controles, (isso) distorce os mercados e força os preços a subirem mais. Peço às nações que resistam a tais medidas e imediatamente liberem as exportações destinadas a propósitos humanitários”, disse ele.

A inflação global provocou distúrbios em diversos países da África, da Ásia e da América Latina. ONGs dizem que Japão e China contribuíram com a crise ao controlar seus estoques. Durante a cúpula, o premiê japonês, Yasuo Fukuda, prometeu liberar a venda de pelo menos 300 mil toneladas de arroz importado que estão nos estoques do país.

A cúpula de Roma ditará o tom da ajuda alimentar e dos subsídios a serem definidos pelo Grupo dos Oito (países industrializados mais ricos) em sua reunião de julho. Pode influenciar também a reta final das discussões da chamada Rodada de Doha de abertura comercial global.

Alguns produtos alimentares básicos estão com seu maior valor real dos últimos 30 anos. Vários itens, como arroz, milho e trigo, chegaram a dobrar de preço nos últimos anos.

Reportagem adicional de Stephen Brown

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below